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29/06/2010 - 10h53

Furacão Alex deve atrapalhar operação contra vazamento nos EUA

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DA REUTERS, EM LONDRES

A tempestade tropical Alex deve virar furacão nesta terça-feira (29), gerando ventos e ondas que devem atrapalhar a operação de contenção ao vazamento de petróleo em um poço da empresa BP no golfo do México.

As ações da BP caíram mais 1,7% em Londres, um dia depois da notícia de que o Fed (Banco Central dos EUA) está investigando possíveis riscos representados para a empresa para o sistema financeiro, e depois de a BP desmentir uma notícia divulgada pelo governo russo de que a companhia estaria planejando demitir o seu executivo-chefe.

Analistas da JPM Morgan Cazenove disseram que a queda nas ações da BP, atualmente na sua menor cotação em 14 anos, torna a empresa propensa a ser comprada.

"O mercado perdeu de vista o valor intrínseco (...) numa empresa rica em patrimônio como a BP. Duvidamos muito que agentes do setor com olhos atentos tenham perdido de vista o valor da BP", escreveu o analista Fred Lucas a seus clientes, citando Exxon Mobil e Royal Dutch Shell como os compradores mais prováveis.

A maioria dos analistas até agora considera que a BP dificilmente será adquirida enquanto houver dúvidas sobre os gastos que terá por causa do acidente no Golfo.

O vazamento chega ao 71º dia sem uma perspectiva clara de terminar. O impacto ambiental e econômico (principalmente para pesca e turismo) continua crescendo em quatro Estados da costa sul dos EUA.

A tempestade Alex deve se afastar lentamente da península do Yucatán (sudeste do México) e, passando sobre o sul do golfo do México, fará uma curva para noroeste, distanciando-se das principais instalações petrolíferas da região. Ainda nesta semana, o Alex deve voltar à costa mexicana, desta vez na região da fronteira com os EUA.

O sistema não deve atingir diretamente a operação de captura do óleo que vaza, nem a escavação de dois poços auxiliares que no futuro permitirão tampar o vazamento, segundo executivos da BP em Houston.

Mas ondas de até 4 metros podem provocar o adiamento da instalação de um terceiro sistema de captura de óleo, que tornaria a operação bem mais eficiente, disse o vice-presidente-executivo Kent Wells.

ESTIMATIVAS

O governo dos EUA estima que 4,2 a 7,2 milhões de litros de petróleo estejam vazando diariamente. A BP consegue atualmente recolher 3,3 milhões de litros, e espera elevar esse volume para 6,4 milhões de litros, segundo Wells.

O executivo disse que a escavação dos poços de alívio, com conclusão prevista para agosto, irá continuar "a não ser que, infelizmente, uma tempestade se encaminhe diretamente para a nossa direção." O primeiro poço de alívio já está bastante próximo do poço que explodiu.

A já perdeu US$ 100 bilhões em valor de mercado desde que a plataforma Deepwater Horizon explodiu no golfo do México no dia 20 de abril, matando 11 funcionários.

A empresa continua apoiando publicamente seu executivo-chefe, Tony Hayward.

Desde ontem, o Fed de Nova York está monitorando os investimentos de outras firmas na BP para assegurar-se de que o sistema financeiro global não seja afetado no caso de a empresa quebrar.

Funcionários do alto escalão do governo tentam mostrar serviço, respondendo a críticas de que a administração do presidente Barack Obama agiu muito devagar em relação ao desastre. O vice-presidente, Joe Biden, segue hoje para a região afetada.

Pesquisas de opinião têm mostrado baixa aprovação dos americanos às ações do governo, emboras a aprovação seja muito mais baixa para a resposta da BP.

"MONSTRO GEOLÓGICO"

Ontem, o ex-presidente Bill Clinton disse à CNN que Obama estava sendo "acusado injustamente". Clinton também afirmou que o poço é um "monstro geológico" e que, se os trabalhos para conter o vazamento não funcionarem, a Marinha americana poderia ter que explodi-lo.

Equipes trabalham dia e noite para manter óleo e dispersantes longe das praias e dos locais de procriação da vida selvagem da costa sul dos EUA. Uma tempestade criada pelo furacão Alex seria mais um problema para a região, já duramente afetada.

Partes da costa da Louisiana já estão sob alerta de inundações até quarta a noite. As marés podem subir a até um metro acima do normal em alguns locais.

Em Ocean Springs, Mississippi, moradores estão tão furiosos com o ritmo da limpeza da BP que eles mesmos passaram a limpar a região. Após esperar várias horas em vão pela chegada de funcionários, pais e filhos passaram a limpar as praias com pás de verdade e de brinquedo.

"Isso é tudo que temos para usar e não vamos ficar aqui esperando pela BP para limpar essa sujeira. É o nosso lar", disse o morador Marty Wagoner.

 

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