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Cortes de custos na BP levaram a vazamento no golfo, diz relatório
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RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON
A cultura empresarial de reduzir custos de produção sem avaliar os riscos implicados em cada decisão foi o pano de fundo do maior derramamento marinho de petróleo da história. Esse foi o tom do relatório final do governo dos EUA sobre as investigações do acidente de abril de 2010 no golfo do México, que responsabiliza a companhia BP e suas parceiras pelo desastre.
O documento, divulgado hoje pelo Boemre, a agência reguladora de exploração oceânica de petróleo do país, enumera os problemas que levaram ao desastre com detalhamento sem precedentes, distribuindo as culpas pela sequência de erros que culminaram no desastre.
O acidente, diz o relatório, "foi resultado de um gerenciamento de riscos pobre, mudanças de planos feitas em cima da hora, falha em respeitar e reagir a indicadores críticos, controle inadequado do poço e treinamento insuficiente para situações de emergência".
A junta de investigação responsável pelo documento confirmou que a causa central do desastre foi uma barreira de cimento mal construída em um dos tubos que reforçavam a estrutura do poço. A explosão que matou 11 técnicos e desencadeou o vazamento de quase 5 milhões de barris de petróleo, porém, não teria ocorrido sem o acúmulo de procedimentos negligenciados pela BP, pela Transocean (empresa dona do poço) e pela Halliburton (terceirizada que cimentou a tubulação).
Um dos primeiros problemas foi a falha de técnicos em interpretar anomalias reveladas num teste de avaliação do estado do poço. Este erro só foi notado duas horas depois, tempo durante o qual medidas de emergência poderiam ter evitado o acidente. Segundo o relatório, além de dar treinamento ruim aos técnicos, a empresa tinha o hábito de delegar aos funcionários mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Os responsáveis pelo procedimento de segurança também estavam realizando manutenção em parte dos equipamentos no mesmo dia.
"As decisões da BP para cortar custos ou economizar tempo, sem considerar contingência ou formas de mitigação, contribuíram para a explosão", diz o relatório. Segundo o documento, alterações no projeto do poço que baratearam sua construção também são, em parte, responsáveis pelo acumulo de gás na estrutura onde ocorreu o acidente.
CULPA TERCEIRIZADA
A BP divulgou hoje um comunicado de imprensa afirmando que "concorda" com as conclusões do relatório, destacando o fato de que o documento também cita a Transocean e a Halliburton como culpadas.
"Continuamos a encorajar as outras partes a reconhecerem suas responsabilidades no acidente e a fazerem mudanças que ajudem a prevenir acidentes similares no futuro", afirma a empresa britânica, que move um processo contra a Transocean.
A Halliburton, que entrou com um processo contra a BP no início deste mês, afirma que o problema com a barreira de cimento ocorreu em razão de a empresa operadora do poço omitir informações técnicas importantes sobre o local da obra.
A Transocean, que completou sua própria investigação interna, divulgou em abril um relatório atribuindo à BP a culpa por adotar procedimentos arriscados no poço.
O relacionamento ruim entre as empresas, porém, não foi apenas consequência, mas causa do acidente, afirma o relatório do governo: "A falha da BP e da Transocean em garantir uma abordagem comum e integrada para controle do poço foi possivelmente uma causa a contribuir para a explosão".
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