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Tropas no Haiti mantêm alerta com presença de Baby Doc no país
DA BBC BRASIL
As tropas brasileiras no Haiti se mantiveram em estado de "alerta" nesta segunda-feira, um dia após o retorno ao país do ex-presidente Jean-Claude Duvalier, também conhecido como Baby Doc.
O ex-líder desembarcou em Porto Príncipe neste domingo, depois de um período de 25 anos de exílio na França.
A chegada "surpresa" de Baby Doc ao Haiti em um momento delicado de disputa eleitoral despertou a preocupação entre militares sobre uma nova onda de manifestações pelo país.
Seguindo a recomendação da Missão de Paz da ONU no país (Minustah), as tropas brasileiras foram chamadas a retornar a seus postos em diferentes pontos da capital, Porto Príncipe.
"As tropas continuarão posicionadas enquanto for essa a recomendação da Missão", diz o tenente coronel Gilvan Alves, chefe da comunicação da base brasileira no Haiti.
Ainda de acordo com o oficial, o dia amanheceu "normal" na cidade, sem notícias de movimentos populares. "Sobrevoamos os principais pontos e não observamos nada fora do normal", diz.
RETORNO POSITIVO
O embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, disse à BBC Brasil que a volta de Baby Doc "causou surpresa", mas que seu retorno pode ser visto como uma demonstração da "solidez" do processo democrático haitiano.
"Até o momento não houve qualquer alteração da ordem. O clima no país não se desestabilizou, o que pode ser visto como uma grande demonstração das conquistas democráticas no país", disse o diplomata.
Ex-representante no Haiti da Organização dos Estados Americanos (OEA), Ricardo Seitenfus também vê o retorno do ex-presidente como um passo "importante" na história política haitiana.
"Seu retorno abre portas para que o país possa lidar com seu passado. Não só do ponto de vista da memória, mas também da Justiça, se for o caso", diz.
PROCESSO
Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, pedem que Duvalier seja preso e processado por supostos crimes cometidos durante o regime liderado por ele, entre 1971 e 1986.
Para a Anistia Internacional, "as violações generalizadas e sistemáticas cometidas no Haiti durante o regime de Duvalier configuram crimes contra a humanidade".
"O Haiti está sob a obrigação de processar a ele e a qualquer outro responsável por tais crimes", afirmou Javier Zuñiga, assessor-especial da organização dedicada à defesa internacional dos direitos humanos.
Baby Doc é acusado de corrupção, repressão e abuso de direitos humanos durante o tempo em que esteve no poder.
Como o pai, ele contava com uma milícia particular conhecida como os Tontons Macoutes, que controlava o Haiti usando violência e intimidação.
MOTIVAÇÃO
Não se sabe ao certo o que motivou o regresso de Duvalier, mas ele disse que quer "ajudar o povo haitiano".
O primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, disse que não há motivo para acreditar que a chegada de Baby Doc vá desestabilizar o país.
"Ele é um haitiano e, como tal, é livre para voltar para casa", disse Bellerive.
O retorno aconteceu no dia exato em que deveria ocorrer o segundo turno das eleições presidenciais no Haiti, mas a votação foi adiada por causa de uma disputa em torno dos nomes que deveriam constar na cédula eleitoral.
O candidato governista, Jude Celestin, e o cantor Michel Martelly querem participar do segundo turno com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, considerada vencedora do primeiro turno, em 28 de novembro, em uma votação fortemente criticada por causa de relatos de fraude, violência e intimidação de eleitores.
Resultados provisórios anunciados em dezembro pelo conselho eleitoral apontavam Celestin como o segundo colocado, com pequena vantagem sobre Martelly.
Mas os resultados provocaram protestos violentos por parte de partidários de Martelly, que alegou ter perdido o segundo lugar por causa de fraudes.
Há quem veja o retorno de Baby Doc ao Haiti como uma tentativa de eleger Martelly, mas o ex-presidente ainda não expôs oficialmente quem seria seu preferido na corrida eleitoral.
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