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Proteína do olho humano age como 'bússola', sugere estudo
DA BBC BRASIL
Um estudo realizado por cientistas nos Estados Unidos sugere que uma proteína presente no olho humano pode atuar como uma "bússola" que ajuda as pessoas a se orientarem em relação ao campo magnético da Terra.
No experimento, os pesquisadores da Universidade de Massachusetts (EUA) retiraram de moscas Drosophila melanogaster proteínas chamadas criptocromos, que cientistas já haviam associado à sensibilidade que a mosca e outros animais --como aves migratórias-- têm ao campo magnético terrestre.
Sem as proteínas, as drosófilas não manifestam a habilidade de navegação com base no campo magnético. Mas elas voltaram a ter essa capacidade quando receberam as proteínas retiradas do olho humano.
A pesquisa, liderada pelo cientista Steven Reppert e divulgada na publicação científica "Nature Communications", reacende a discussão. Os humanos, assim como moscas e aves migratórias, também são sensíveis ao campo magnético da Terra no que se refere à orientação.
BÚSSOLA HUMANA
As proteínas criptocromo estão presentes, em uma de suas duas variedades principais em cada animal do planeta: a criptocromo-1, produzida pela Drosophila melanogaster e a criptocromo-2, pelos humanos. Uma de suas funções é relacionada ao chamado "relógio biológico" humano e de outras espécies.
Também já era conhecida a faculdade da proteína de regular a orientação de animais. A grande descoberta da pesquisa atual é que essa proteína presente nos humanos cumpriu a mesma função quando transplantada nas moscas.
Nos anos 1980, um estudo do cientista Robin Baker, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, concluiu por meio de experimentos com milhares de voluntários que os humanos são, sim, sensíveis ao campo magnético da Terra.
O mecanismo que define essa sensibilidade e permite a orientação nunca foi, no entanto, descoberto. Nos anos seguintes, outros pesquisadores repetiram os experimentos, mas chegaram a conclusões contraditórias.
Ainda que já se saiba que a proteína criptocromo está por trás do senso de orientação em animais, ainda não se conhece o seu mecanismo exato de funcionamento.
Segundo Steven Reppert, a dificuldade maior em provar que os seres humanos também têm sensibilidade aos campos magnéticos do planeta é que nós não nos darmos conta se isso acontece ou não.
"Eu ficaria muito surpreso se não tivermos esse sentido [sensibilidade ao campos magnéticos da Terra]", diz o cientista. "Ele ocorre em vários outros animais. Acho que a questão é mostrar como usamos isso."
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