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08/11/2011 - 15h06

Auge da criatividade científica é aos 40 anos

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REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Atualizado às 15h39.

Cientistas com mais de 30 anos podem respirar aliviados: ao contrário do que dizia o mito, a carreira não acaba quando eles chegam a essa temida idade.

Em essência, essa é a mensagem de uma análise de mais de um século de prêmios Nobel que acaba de ser publicada na revista científica americana "PNAS".

Editoria de Arte / Folhapress

Liderado por Benjamin Jones, da Universidade Northwestern, e Bruce Weinberg, do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA, o estudo usou dados biográficos dos nobelistas (como são chamados os ganhadores do prêmio máximo da ciência).

O objetivo era datar quando fizeram a descoberta que, mais tarde, renderia a eles o Nobel. Essa descoberta mais impactante serviria, por sua vez, como indicador do período de máxima criatividade científica na vida deles.

QUARENTÕES

O resultado: os ganhadores dos prêmios de física, medicina e química entre 1900 e 2008 tinham em torno de 40 anos quando realizaram seu trabalho seminal.

Dos anos 1980 para cá, aliás, essa idade tem até aumentado. Na física, área na qual supostamente a juventude é tudo para quem está em busca de ideias brilhantes, a idade média subiu para 50,3 anos, contra 45 em medicina.

O mito de que física é coisa de moleques (no bom sentido) foi propagado por gênios do calibre de Albert Einstein (1879-1955). "Uma pessoa que não fez sua grande contribuição à ciência antes dos 30 anos nunca o fará", disse ele. Não por acaso, os trabalhos que lhe renderam o Nobel saíram quando ele tinha 26, em 1905, o chamado "Annus Mirabilis" ("ano admirável") de sua produção científica.

Na verdade, sugere o novo estudo, Einstein estava vendo uma tendência localizada, típica de sua época, como algo geral na ciência. É que, de 1900 a 1930, os cientistas estavam envolvidos no esforço de entender a mecânica quântica, área da física que estuda o comportamento surpreendente e nada intuitivo dos átomos e das partículas que os compõem.

Para essa missão, pouco adiantava ter grande conhecimento sobre a física clássica. Era necessário começar quase do zero --daí a capacidade de moleques fazerem a diferença, principalmente graças a brilhantes "insights" teóricos, afirmam Jones e Weinberg na "PNAS".

Por outro lado, quando a área estudada depende do conhecimento de um grande arcabouço de dados e da realização de muitos experimentos, a tendência é de "envelhecer" os cientistas.

Isso provavelmente acontece, sugere o estudo, porque o sujeito precisa dominar muito bem sua especialidade para, mais tarde, elaborar contribuições que façam a diferença para aquela área.

 

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