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Primeira mulher a ganhar o Nobel, Marie Curie é homenageada no Ano da Química
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SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO
O caminho que uma mulher pobre da Polônia, nascida no século 19, teria de trilhar para ser cientista em uma época em que as universidades praticamente só tinham homens era árduo.
Mas isso não impediu Marie Curie de ser a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel. Mais ainda: ela ganhou dois prêmios em áreas distintas (química e física) --feito único até hoje.
O nome da cientista foi um dos mais falados nas comemorações do Ano Internacional da Química, que termina nos próximos dias.
Hoje, a memória de Marie (1867-1934) passa por congressos científicos de todas as áreas e batiza desde hospitais de câncer no Reino Unido a programas de bolsas da União Europeia.
Isso porque a cientista, radicada na França, deu nome a um fenômeno que rondava os corredores acadêmicos e que ela ajudou a desvendar: a radioatividade. Foram as descobertas dos elementos polônio e rádio que a levaram ao Nobel em Química em 1911.
"Enquanto os cientistas estudavam o urânio, ela procurou elementos radioativos em minerais", diz o físico nuclear Diógenes Galetti, da Unesp.
Galetti tem, na sua sala, um exemplar do livro que resultou da tese de Curie, "Pesquisa de Substâncias Radioativas", defendida em 1904 --um ano depois de ganhar o Nobel em Física.
A "descoberta" da radioatividade levou ao raio-X, que ela própria testou durante a Primeira Guerra Mundial.
Marie rodou a França em ambulâncias fazendo exames em soldados feridos. A filha adolescente Irène a ajudou na tarefa, virou cientista e levou um Nobel em Química, em 1935 --um ano após a morte de Marie.
O debate de gênero sobre sua obra é inevitável. "Diziam que Marie Curie era tão inteligente que 'pensava como um homem'", diz Ana Maria Alfons-Goldfarb, historiadora da PUC-SP. Ela participou de um evento na Fapesp que homenageou Marie Curie.
De acordo com a especialista, predominava naquela época a ideia de que competição era coisa de homem.
Diferentemente de colegas como Henri Becquerel, com quem dividiu, ao lado do marido, o Nobel em Física em 1903, ela era de família pobre.
Filha de professor secundarista, Marie estudou em Paris, na Universidade de Sorbonne, onde obteve as licenciaturas em Física (1893) e Matemática (1894).
Casou-se no ano seguinte com Pierre Curie, um pesquisador oito anos mais velho, que já tinha importantes trabalhos experimentais.
Para Maria Vargas, da UFF (Universidade Federal Fluminense), o casamento foi uma espécie de "parceria científica": ambos trabalhavam com elementos fluorescentes.
"A admiração profissional de Pierre por Marie lhe deu credibilidade como cientista", conta Alfonso-Goldfarb.
A parceria deu certo. "Dizem que a melhor descoberta de Marie foi a radioatividade e, de Pierre, Marie", brinca a historiadora.
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