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24/09/2012 - 18h49

Jerome P. Horwitz, pai da droga AZT, morre aos 93 anos

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DO "NEW YORK TIMES"

Jerome P. Horwitz, pesquisador que criou o remédio AZT, cuja primeira função foi tratar casos de câncer, e que tornou-se décadas depois o primeiro medicamento a ter sucesso no tratamento contra a AIDS, morreu no dia 6 de setembro, em Bloomfield Township, Michigan, aos 93 anos.

Walter P. Reuther Library, Wayne State University
Jerome P. Horwitz, criador da droga AZT, morto no último dia 06 de setembro
Jerome P. Horwitz, criador da droga AZT, morto no último dia 06 de setembro

Dr. Horwitz nunca alcançou muita fama nem recebeu um centavo pela criação do AZT. Os bilhões de dólares foram todos para o laboratório que testou e patenteou o remédio, que em 1986 recebeu aprovação federal como o primeiro tratamento que prolongava a vida de pacientes com AIDS.

Dr. Horwitz disse em entrevistas que quando o AZT (diminutivo de azidotimidina) falhou em testes contra o câncer, ele literalmente o esqueceu numa prateleira, desapontado, e pôs a explorar outras ideias, nunca se importanto em patenteá-lo.

O conjunto de compostos não só se provaram úteis 22 anos depois no combate a AIDS, como definiram uma nova abordagem de ataque às doenças.

A família de compostos desenvolvidos pelo Dr. Horwitz e seus colegas são formas sintéticas de componentes do DNA chamados nucleosídeos. Os pesquisadores injetaram o AZT em células cangerígenas, esperando que ele agisse como um cavalo de Tróia, impedindo o crescimento das células ao confundir os nucleosídeos reais do DNA.

A abordagem não funcionou contra o câncer, mas proveu o fundamento para o desenvolvimento de drogas antivirais usadas atualmente no tratamento do vírus da imunodeficiência humana, assim como herpes e hepatite.

"É difícil dizer o número de vidas que foram salvas por essas três drogas", Disse Nathalia Holt, pesquisadora de AIDS nos hospitais do Instituto Tecnólogico de Massachusetts e de Harvard. Ela se refere ao AZT e outros dois compostos criados pelo Dr. Horwitz, conhecidos como Didanosina e Estavudina. "Eles formam a base para terapia antiviral utilizada hoje", completou

O AZT ficou esquecido até a metade dos anos 1980, quando o crescente número de mortes por AIDS desencadeou uma ampla busca por tratamentos. Juntamente com milhares de outras drogas sendo testadas em laboratórios, a companhia farmacêutica Burroughs Wellcome pediu ao Instituto Nacional do Câncer para determinar se o AZT possuía algum efeito no tratamaneto de pessoas com AIDS.

Quando um grupo de cientistas financiado pelo instituto descobriu que a droga era efetiva no tratamento, o laboratório solicitou e recebeu a patente. O laboratório, devido a uma fusão, veio a chamar-se depois GlaxoSmithKline.

A aprovação do AZT para o tratamento da AIDS conferiu uma breve fama ao Dr. Horwitz. Mas a publicidade foi suplantada pela perda de recursos, para ele e para seu centro de pesquisa, devido à falha em patentear a droga.

Dr. Horwitz disse em entrevistas que a Burroughs Wellcome fez uma doação ao Instituto de Cancer afiliado à sua universidade, a Wayne State, para estabelecer uma cátedra em seu nome. Mas os US$ 100.000 doados não foram nem suficientes para cobrir os custos da cátedra.

Jerome Phillip Horwitz nasceu em Detroit, em 16 de janeiro de 1919, um dos três dilhos de Louis e Belle Horwitz. Ele se formou em química pela universidade de Detroit em 1942 e obteve o mestrado dois anos depois. Em 1948 ele obteve o doutorado em química pela universidade de Michigan.

Após trabalhar na área de combustível de foguetes no Instituto Tecnológico de Illinois, ele se tornou um pesquisador de câncer no meio da década de 1950 na Fundação do Câncer de Michigan e professor na escola médica Wayne State. Ele permanceu nas instituições até a aposentadoria, em 2005.

Um de seus últimos projetos envolveu o desenvolvimento de drogas para o tratamento de tumores sólidos. A pesquisa, liderada pela Wayne State para a obtenção da patente, foi licenciada em 2003 por uma companhia farmacêutica. Durante os testes clínicos, a companhia pagou uma taxa de licenciamento à escola de medicina, a qual foi divida com o Dr. Horwitz. Aos 86 anos, ele recebeu o primeiro royalte de sua carreira.

Ele deixa a esposa, dois filhos e cinco netos.

"Ele nunca fez isso por dinheiro", disse a mulher do Dr. Horwitz. "Ele foi para a ciência porque queria fazer diferença". Após uma pausa, acrescentou, "Ele entrou na ciência porque não queria entrar no negócio de aves com seu pai."

 

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