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02/09/2010 - 09h55

Contra antibiótico, bactéria resistente ajuda as indefesas

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RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Na natureza, há atos de simpatia entre vizinhos bem mais fortes do que segurar a porta do elevador: quando uma colônia de bactérias é atacada por um antibiótico, descobriram os cientistas, as mais fortes protegem as mais fracas que vivem do lado.

Fazem isso liberando uma substância chamada indol, que fortalece a defesa molecular das bactérias vizinhas que iriam morrer. Grosso modo, o indol age como um soro para as bactérias.
Trata-se de um ato "nobre" das bactérias fortes, porque a energia gasta com isso poderia estar sendo utilizada de maneira mais egoísta.

"Elas não crescem tão bem quanto poderiam, porque estão produzindo indol para todo mundo", diz James Collins, engenheiro biomédico da Universidade de Boston (EUA), autor do estudo publicado na revista "Nature".

"Todo mundo" não é exagero. Os cientistas perceberam que umas poucas bactérias resistentes, que chegam a representar menos de 1% da população, podem ser responsáveis pela sobrevivência de boa parte da colônia.

O método utilizado por Collins foi bem simples: dar antibióticos como norfloxacina e gentamicina a colônias de Escherichia coli, um tipo bem comum de bactéria, e ver o que acontece.

O altruísmo não se deve só ao bom coração das bactérias. Se as mais fortes não estivessem nem aí com a morte das vizinhas, a população poderia ser reduzida a um nível crítico, o que facilitaria um contra-ataque do organismo contra os micróbios.

E, mesmo que as sobreviventes conseguissem repovoar a colônia, a diversidade genética dela seria baixa -como se uma pequena família repovoasse uma cidade. Como a diversidade protege contra novas doenças, os riscos cresceriam.

Para os humanos ingerindo antibióticos, claro, essa amizade toda entre as bactérias é mal negócio. Os cientistas acreditam que seria possível tomar doses menores se a ação da indol fosse barrada.

"Devemos considerar a possibilidade de desenvolver pequenas moléculas que façam isso", diz Collins.

 

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