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andré barcinski

 

12/09/2012 - 03h42

Quilo é MP3 da gastronomia

"Toda vez que olho para um bufê de saladas, vejo comida morrendo." A frase é de Anthony Bourdain, o famoso "chef-celebridade" da televisão. Bourdain falava sobre os enormes bufês de almoço, que são bem comuns em Nova York.

Já li muitos especialistas em nutrição corroborando a frase de Bourdain. De fato, deixar as folhas e as verduras expostas por longos períodos não parece ser a coisa mais saudável do mundo.

Mas minhas razões para concordar com Bourdain não são de ordem sanitária, mas comportamentais: comida por quilo me deprime.

Sempre evitei restaurantes por quilo. Prefiro mil vezes um "PF" vagabundo a um quilo de luxo.

Entendo por que os estabelecimentos usam o serviço por peso: para eles, o sistema é muito mais eficiente e barato. Há pouco desperdício de comida e não é necessário ter garçons, o que reduz consideravelmente o "staff" da casa.

Para o público, a comida por quilo também faz sentido: o cliente só paga o que come. Não há o risco de pedir um prato e deixá-lo pela metade. O sistema também é bem mais rápido que o "à la carte", sem a necessidade de esperar pela refeição.

Não há dúvidas de que a comida por quilo é mais conveniente. Mas será que, na hora de comer, a conveniência deve ser levada tão a sério? Não seria exatamente o momento em que temos para relaxar e deixar a conveniência de lado?

Dá para fazer uma analogia com a música: o restaurante por quilo seria o MP3, enquanto o "à la carte" seria o bom e velho vinil.

O MP3 é mais barato e acessível. Dá para ouvir em qualquer lugar. Já o vinil dá trabalho: é preciso uma vitrola e trocar o disco a cada lado.

Mas os resultados são incomparáveis: o som do MP3 é metálico, estridente e agressivo. Já o vinil desce macio nos ouvidos, tem um "calor" que falta em seu inimigo digital.

Por mais furreca que seja o "PF", saber que ele foi feito só para você dá uma sensação de conforto. E conforto é bem mais saboroso do que conveniência.

andré barcinski

André Barcinski é crítico da "Ilustrada" e diretor e produtor do programa "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", no Canal Brasil. Escreve às quartas, a cada duas semanas, na versão impressa do caderno "Comida".

 

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