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fábio seixas

 

09/08/2012 - 03h11

Olhos que brilham

A corrida estava pra começar, e aquele garotinho não tirava os olhos da pista. Espumas amarelas protegiam seus ouvidos miúdos e eram mais uma diversão, mais uma novidade, naquele final de semana tão divertido e tão novo.

Como ele tinha menos de cinco anos, calculo, era sua estreia num autódromo, deduzo por tabela. Afinal, aquele estava fechado desde 2007. Aconteceu em Cascavel, no Paraná, no domingo. A razão para os olhos vidrados e os ouvidos protegidos do garoto, a F-Truck. Colorida, veloz, pirotécnica, barulhenta. Um show para ele e para o público que acampou por dias ali.

Você sabe do que estou falando. Se está lendo esta coluna, se está com este caderno nas mãos ou na tela do computador, é porque gosta de esporte. E deve lembrar da primeira vez num estádio, num ginásio, num circuito...

Deve recordar a emoção de ver tudo aquilo na sua frente. Deve saber o que aquilo significou para você ser o que é. E isso, na sua vida e na do garotinho de Cascavel, foi possível por três motivos.

Porque alguém te pegou pela mão e te levou, provavelmente seu pai, sua mãe, um familiar. Porque havia um esporte a ser praticado. E porque havia uma instalação esportiva ali, perto de você.

Aproximar o esporte do público, criar contato desde cedo e, assim, estimular o interesse são os primeiros passos de qualquer linha de política esportiva mundo afora.

Taí a Olimpíada. Sarah Menezes começou a treinar porque o judô foi até ela: na escola, no caso. Arthur Zanetti é de São Bernardo, vizinha a São Caetano, historicamente ligada ao esporte e cada vez mais celeiro de ginastas. Não é coincidência, é um padrão. Pode pesquisar o início de carreira de todo medalhista... É causa e efeito.

Daqui a alguns anos, talvez o garotinho de Cascavel não se lembre da corrida deste domingo, que marcou a reinauguração do autódromo. Mas poderá lembrar da prova da Stock Car, no mês que vem. Ou de uma próxima, de uma outra categoria.

Pode até vir a não gostar de automobilismo, claro. Mas será um sentimento baseado na experiência pessoal, não por ignorar o que é aquilo.

Ele terá visto. Terá vivido. Terá sentido o cheiro. Seus olhos terão brilhado, ainda que por conta da pouca idade. E isso não há investimento que pague.

Poderá contar um dia para um amigo carioca o que acontece na sua cidade. E receberá, em troca, o silêncio. Porque o bom exemplo de Cascavel é uma raridade. O mais comum por aqui é o contrário: abandonar autódromos, como no Rio. Assim como o hobby nacional, tão em alta nesse época olímpica, é cornetar o esporte. Sem procurar as razões para sucessos e fracassos.

fábio seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra. Escreve às sextas-feiras.

 

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