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humberto luiz peron

futebol na rede

04/10/2011 - 19h23

Rótulos

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No futebol, é muito comum alguns profissionais receberem rótulos que o acompanham por toda a carreira. Em geral, esta classificação é dada no início da vida do atleta ou por um lance que o deixa marcado, está longe de representar o que o atleta faz nos gramados.

Muitas dessas classificações usadas para jogadores geram algumas injustiças. Por exemplo, na década de 1980 havia um zagueiro chamado Márcio Rossini, que teve passagens pelo Marília, Santos, Bangu e seleção brasileira, que jogava muito duro e merecia a fama de violento.

Na falta mais criminosa atribuída a ele, Márcio Rossini nem estava perto da jogada. O famoso lance - a entrada maldosa de um jogador do Bangu - em cima de Zico, então no Flamengo, em 1985, foi feita por Márcio Nunes. Mas como a fama de "açougueiro" era de Márcio Rossini, muitos, até hoje, citam seu nome quando se recordam dessa entrada.

Nesses rótulos também surgem algumas bobagens, como "pipoqueiro", para classificar aqueles jogadores que não gostam de enfrentar as divididas. É só um atleta desistir de brigar por uma bola perdida para ser taxado assim. Injustamente, o termo é usado para designar craques de técnica refinada, ou seja, aqueles que não precisam arrancar tufos de grama em carrinhos para mostrar que estão em campo.

Nos últimos anos surgiu o termo "chinelinho" para classificar jogadores que preferem ficar de sandálias no departamento médico a entrar em campo. Está certo que jogadores preguiçosos sempre existiram, mas não se pode chamar de vagabundo qualquer atleta que fica no estaleiro.

Aliás, o jogador que fica muito tempo parado por estar contundido não tem muita opção, ou recebe o apelido de "chinelinho" ou é chamado de "bichado", o que é pior e pode abreviar a carreira de qualquer profissional.

E na mania nacional de achar sempre um culpado para as derrotas em decisões, constantemente aparece o famoso atleta que se ausenta da partida em jogos decisivos. Incrível como temos jogadores com vários títulos na carreira que são taxados assim, apenas porque perderam uma decisão específica.

É lógico que também existem aqueles apelidos que inflam a carreira dos jogadores, como o de "artilheiro", usado para qualquer atacante.

Acho a palavra "artilheiro", tão nobre no futebol, só deveria ser usada para o jogador que faz mais gols no torneio ou em uma partida. Fico abismado como as pessoas chamam de artilheiro atletas que não marcam um mísero gol há meses, ou aquele que, após 20 rodadas de um torneio, tenha marcado somente três gols.

Há também aqueles jogadores que acabam incorporando o rótulo que recebem. Se o atleta é chamado de "guerreiro", ele quer provar que tem mais vontade em campo que qualquer outro jogador. Dá carrinho, corre adoidado e adora pedir garra para os companheiros. É só um defensor ser chamado de "zagueiro-zagueiro" para ele se achar no direito de dar bicões para o lado que o nariz aponta.

Técnicos também não escapam dos rótulos. Se há aqueles que têm suas qualidades aumentadas e são classificados como "estrategistas", aparecem também os chamados "retranqueiros", "linha-dura". Nos últimos anos voltaram as expressões usadas antigamente, como "rei do acesso" ou "especialista em livrar um time do rebaixamento". Sem citar o "burro", que todos os treinadores não se cansam de ouvir após cada derrota.

Goleiros e árbitros estão entre os mais rotulados - nem gosto de usar os ofensivos "frangueiro" e "ladrão".

No meio do século passado, por exemplo, alguns goleiros eram acusados de terem dificuldades para enxergar a bola em jogos noturnos. Agora, há os que não sabem sair do gol ou aqueles que não têm habilidade com as pernas.

Já os árbitros são classificados como "disciplinadores" - o que todos deveriam ser; "caseiros", para aqueles que sempre favorecem os anfitriões; e "aqueles que deixam o jogo correr", ou seja, não cumprem a regra do jogo e não marcam faltas.

No futebol, como na vida, nunca a primeira impressão que temos é verdadeira.

(Com certeza deixei de citar muitos rótulos que são usados no futebol. Por isso, se você se lembrar de mais algum, coloque-o no "comente essa reportagem".)

Até a próxima.

DESTAQUE
Já passou da hora de a CBF parar de marcar jogos do Campeonato Brasileiro nas chamadas "datas Fifa" ou quando existem jogos da seleção brasileira. Não faz nenhum sentindo os clubes apostarem em grandes contratações, se eles não podem usar os principais jogadores em partidas decisivas, como acontece agora. Com essa medida, também evitaria qualquer especulação se a entidade ou o treinador da seleção beneficia - ou prejudica - algum clube nas convocações. Que isso se resolva rápido, pois além dos amistosos da seleção, no ano que vem temos os Jogos Olímpicos e, em 2015, a Copa das Confederações.

ERA PARA SER DESTAQUE
No próximo dia 16 começa o Horário de Verão. Então, já seria prudente, para evitar reclamações - justas - de clubes e de jogadores obrigados a jogar sob o sol ainda quente e com temperaturas elevadas que as partidas do Campeonato Brasileiro, tanto da Série A quanto da Série B, a partir dessa data tivessem o horário de início alterado também.

Humberto Luiz Peron

Humberto Luiz Peron é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha.com às terças-feiras.

 

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