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gilberto dimenstein
Estrebucha, filho da puta
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O título desta coluna já seria incômodo e até chocante apenas por ter sido publicado. Imagine então alguém falando assim para alguém que, de fato, está morrendo, espumando pela boca --e quando esse alguém é um policial, como vemos em vídeo divulgado pela Folha.com. Será que é apenas uma exceção?
Foram divulgados agora novos dados sobre a violência no Estado de São Paulo, revelando a tendência de que, no geral, a taxa de homicídios vem caindo, especialmente na capital, nos últimos anos. E isso se deve em boa parte à ação policial, que emprega mais métodos inteligentes. Mas a inteligência é a regra?
A verdade é que, na periferia, os relatos que me chegam são frequentes casos de desrespeito contra jovens, tratados como se fossem sempre suspeitos. As vítimas, amedrontadas se calam, temendo retaliação. Esse tipo de violência, aliás, é sustentada pela própria população.
Não dá para dizer que, nos últimos anos, não houve educação de direitos humanos aos policiais, mas ainda está longe de um patamar civilizado.
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Em colaboração com o Media Lab, do MIT, desenvolve em São Paulo um laboratório de comunicação comunitária. É morador da Vila Madalena.
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