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josé luiz portella
2012: economia x política
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Mesmo nas eleições municipais, quando os problemas das cidades ganham prioridade significativa, a economia tem papel importante. Os problemas locais mexem com o dia a dia das pessoas. Mexem com a vida real.
Todavia, a economia lida com o ânimo das pessoas. Com a alma. Se há emprego e o poder de compra ao menos se mantém, o espírito do eleitor tende a uma tolerância maior na avaliação dos governos.
Bom para a situação, seja ela a que for.
O eleitor não faz distinção clara de quem é o responsável por emprego e renda: se União, estado ou município. Quem souber vender melhor o peixe do bem-estar, incorporando-o às propostas para as cidades, levará vantagem.
O certo é: se a situação está boa para o bolso do eleitor, a tendência à mudança é difícil.
Como será o ano?
Previsões econômicas sempre têm uma margem considerável de risco, porém há uma forte concentração de opiniões quanto à faixa da inflação.
Ela não será a vilã do ano. Deve ficar entre 4,8 e 5,5%. Não é o centro da meta, mas não causará desconforto. Uma boa aposta é 5,3%. Perto dos 6,5% de 2011, é um decréscimo considerável.
O crescimento, que é a maior prioridade, praticamente uma obsessão da presidente Dilma, tem uma faixa maior de variação nas opiniões categorizadas. Os menos otimistas acreditam que possa ser de apenas 2,8%, o que seria um golpe rude demais para a presidente.
Ela irá esbravejar muito se isso acontecer.
Do lado mais moderado, onde se inclui o Banco Central, o crescimento ficará em torno de 3,5%. Da parte de Dilma e dos otimistas, 4%. O que elevaria o índice de inflação previsto.
O quarto trimestre de 2011 deve ter crescimento por volta de 0,3%, o que causaria uma transferência para o PIB de 2012 de 0,4%.
O primeiro trimestre de 2012 estima-se em 0,8%, e o maior índice viria justamente no terceiro trimestre. O que significa: na eleição, a economia vai passar uma sensação muito positiva para o eleitor.
A expectativa, mesmo para os menos otimistas, é de desemprego baixo e economia em alta dos meses de julho a setembro.
Quem vai saber se beneficiar dessa situação?
Em primeiro lugar, dependerá das campanhas. O que significa dizer: dos marqueteiros, que normalmente as dirigem com mãos de ferro. Não adianta uma cantilena negativa e "pra baixo", se a sensação das pessoas é de bem-estar. É o que deve ocorrer.
Quem estiver na oposição vai ter que se aprofundar nas questões locais e mostrar, com clareza, defeitos e caminhos alternativos concretos para seduzir o eleitor.
O eleitor, como já se disse, tende a deixar as coisas como estão. Salvo quando o prefeito ou o partido da situação está muito mal avaliado. Quando a insatisfação com a cidade é grande.
Ou seja, prefeitos que fizerem a lição de casa básica, a manutenção da cidade, terão grande perspectiva de vitória. Para perderem, precisam ter errado muito.
Só que, muitas vezes, os marqueteiros e seus egos predominam e impõem agenda própria, descolada das circunstâncias gerais. Baseiam-se apenas em pesquisas imediatas e que visam a discursos que "falem o que o eleitor supostamente quer ouvir". Desprezam o fator econômico.
Cabe aos candidatos que, supostamente, têm mais sensibilidade política, evitar o monopólio dos marqueteiros. Para serem escutados, podem usar a frase de um marqueteiro que se tornou célebre: "É a economia, estúpido".
Mesmo nas eleições municipais, com outra realidade, isso faz sentido. A percepção da população será positiva.
Ignorar tal fator será erro grave.
José Luiz Portella Pereira, 58, é engenheiro civil especializado em gerenciamento de projetos, orçamento público, transportes e tráfego. Foi secretário-executivo dos Ministérios do Esporte e dos Transportes, secretário estadual dos Transportes Metropolitanos e de Serviços e Obras da Prefeitura de São Paulo e presidente da Fundação de Assistência ao Estudante. Formulou e implantou o Programa Alfabetização Solidária e implantou o 1º Programa Universidade Solidária. Escreve às quintas-feiras na Folha.com. Faz comentários no "RedeTVNews" e na rádio CBN.
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