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julia sweig

 

05/12/2012 - 06h01

Novas narrativas no México

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A posse do novo presidente do México, Enrique Peña Nieto, inspirou uma onda de comentários na mídia, dizendo que o momento do país chegou.

Relatos de sua visita ao presidente Obama louvaram seu sucesso em "mudar de assunto", da violência e insegurança para os tópicos mais felizes da parceria econômica e da nova classe média (Peña Nieto também fez isso, depois de eleito, em visita a Brasília).

O "Financial Times", a "Economist" e analistas agora argumentam que, com a economia mexicana preparada para uma recuperação prolongada, é hora de Washington superar sua fixação com imigrantes ilegais e violência dos cartéis, em vez disso focando mais sobre as oportunidades comerciais e energéticas.

O subtexto dessa narrativa é que, ao mesmo tempo em que o México fica mais competitivo, graças aos impostos baixos e aos custos mais altos da mão de obra na China, a estrela do Brasil está brilhando com menos força, graças (em parte) às alíquotas onerosas e ao desaquecimento da China.

Fica claro que, ao promover a nova narrativa sobre o México, a equipe de Peña Nieto provavelmente estudou os casos do Brasil e da Colômbia. O Brasil, que também sofre com a violência relacionada ao narcotráfico e à polícia, descobriu como narrar uma história positiva sobre sua nova classe média, energia, ambientalismo e, até recentemente, seus altos índices de crescimento.

Todos os rankings internacionais relativos a fazer negócios com o Brasil continuaram fracos ao longo do mesmo período em que capital entrou no país com abundância, à procura de bons investimentos.

A narrativa sobre a Colômbia também mudou rapidamente. Terrorismo, insurgências, homicídios e drogas deram lugar, na narrativa pública, a comércio, investimentos, a classe média, o legado cultural e a beleza natural. Mas a pobreza e a desigualdade continuam abissais.

É claro que essas transformações não são mera propaganda. A economia do México está, sim, se recuperando, e sua classe média está crescendo, ao mesmo tempo em que a violência dos cartéis continua.
A Colômbia está pondo fim a seu conflito interno e finalmente montando uma estratégia séria para tratar das questões fundiárias.

E, embora as exigências de conteúdo local, a falta de capacidade técnica e as limitações infraestruturais tenham desacelerado a economia do Brasil, o cenário no país é, como confidenciou um estrategista comercial brasileiro, "nem tão ruim quanto as pessoas pensam agora, nem era tão bom quanto as pessoas estavam dizendo antes".

Meu palpite é que o mesmo será dito do México e da Colômbia dentro de alguns anos, se e quando também eles virem sua trajetória atual se reduzir mesmo um pouquinho.

O que me parece irracional é a rapidez com que os comentaristas e a mídia aderem às narrativas mais convincentes, mesmo incompletas.

Na América Latina de hoje, democracia, insegurança e oportunidades econômicas coexistem. Wall Street é capaz de lidar com essa complexidade. Mas e Washington?

Tradução de CLARA ALLAIN

Divulgação

Julia Sweig é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, centro de estudos da política internacional dos EUA. Escreve às quartas-feiras, a cada duas semanas na versão impressa do caderno de 'Mundo'.

 

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