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JFK e os anos 1960

Os americanos amam a sua realeza e reservam em seus corações lugar especial à mais real de todas as famílias reais, o clã Kennedy.

Nesta semana acontece o cinquentenário do assassinato de John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente dos EUA. Por isso estamos nos empanturrando com uma seleção assombrosa de edições especiais de revistas e jornais, documentários de TV, livros e editoriais sobre o homem, sua Presidência, sua glamorosa mulher, sua grande família e, certamente, as muitas perguntas ainda em aberto sobre seu assassinato, quem o cometeu e por quê.

A maioria das imagens e textos me deixa incerta sobre o tipo de presidente ou líder que ele foi de fato.

A maioria de suas realizações grandiosas, ao menos segundo a versão da elite política intelectual que forjou e protegeu sua imagem, é do domínio da política externa: aquele discurso no Muro de Berlim ou o fato de ter desafiado Nikita Kruschev em relação aos mísseis soviéticos em Cuba. Mesmo a baía dos Porcos ganha um "bravo!", porque Kennedy assumiu a responsabilidade pelo fracasso da invasão.

Não está claro seu legado doméstico: ele deitou as bases para a lei de 1964 dos Direitos Civis, mas críticos indagam se JFK estava de fato disposto a apoiar a igualdade racial com a força plena da Presidência.

A década de JFK, a de 1960, é corretamente associada a grandes transformações sociais nos EUA.

Mas à época, como agora, o país estava altamente polarizado. A era McCarthy, nos anos 1950, pôs americanos contra americanos. Esse veneno se infiltrou nos anos 1960, que, não obstante, foram uma década de amor livre, protestos por paz, direitos civis e liberdade de expressão.

Os americanos não gostam de encarar a história recente de seu país como tendo sido marcada por assassinatos políticos: primeiro JFK, depois, em 1968, Martin Luther King Jr., e, nesse mesmo ano, Bobby Kennedy, então candidato presidencial.

A mitologia e o martírio desses três homens obscureceram de algumas maneiras a discussão pública da década como tendo sido não apenas de violência da Guerra Fria fora do país, no Vietnã, mas de violência polarizadora, amarga, irada e revoltante em casa.

O que me deixa perplexa no assassinato de JFK é que, à diferença da coragem e visão moral ousada de MLK ou do chamado à ação social progressista lançado por RFK, sua agenda política não era especialmente controversa. Sim, ele foi o primeiro presidente americano católico. Mas seu anticomunismo liberal, o serviço patriótico e as sensibilidades políticas moderadas de sua família, o carisma pessoal de JFK, tudo isso somado não constituía extremismo de nenhuma espécie.

O efeito cumulativo de refletir sobre numerosas teorias que buscam explicar seu assassinato --o atirador agindo por conta própria, a CIA, Castro, interesses petrolíferos do Texas, LBJ, a Máfia etc.-- me conduz a uma conclusão muito menos satisfatória: a de que, quando pensamos naquele dia em Dallas e adoramos JFK e Jackie, paradoxalmente ignoramos correntes da cultura política conservadora que foram uma parte integral da era Kennedy.

@JuliaSweig

julia sweig

Julia Sweig é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, centro de estudos da política internacional dos EUA. Escreve às quartas-feiras, a cada duas semanas.

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