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kennedy alencar
Dilma muda política econômica
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Ao longo deste ano, a presidente Dilma Rousseff deu sinais contraditórios na economia. Hoje, ela, na prática, muda a política econômica mais frouxa fiscalmente que teve início com a sua chegada à Casa Civil de Lula em 2005, ganhou força no começo do segundo mandato do antecessor e foi executada com gosto e empenho na crise de 2008-2009 e nas eleições de 2010.
Nestes seus oito meses de governo, a presidente prometeu combater a inflação a todo o custo. Depois, admitiu conviver com um patamar alto de elevação dos preços. Noutro momento, o câmbio era a grande ameaça. Passado um tempo, voltava o fantasma dos juros na Lua.
Trocando em miúdos: Dilma retoma a fórmula do começo do primeiro mandato de Lula, mas com uma nuance importante.
Em 2003, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, bancou uma política de rigor fiscal e monetário que deixou o PT de cabelos em pé, mas fez bem ao país. Construiu a base do sucesso econômico da era Lula.
No entanto, havia queixas fundadas do Banco Central de que não podia reduzir os juros em maior grau porque não havia uma contrapartida fiscal que permitisse isso sem desorganizar a economia.
Dilma busca agora dar essa contrapartida. Endurecer o controle de gastos e evitar a aprovação no Congresso de projetos de expansão de despesas serão prioridades verdadeiras, não apenas discurso da boca para fora.
Já estão contratadas elevações de gasto no ano que vem. Uma delas, agora meio demonizada, é a do alto reajuste do salário mínimo. Esse é o tipo de despesa que a história recente mostrou ser acertadíssima: beneficia o mercado interno, aumenta a arrecadação de impostos e ajuda a resgatar nossa vergonhosa dívida social.
A presidente decidiu interromper os sinais erráticos na economia. Seu objetivo é conquistar a confiança dos agentes econômicos e da sociedade como um todo para criar as condições a fim de que os juros caiam.
Dilma entendeu que há limites concretos para expandir investimentos com dinheiro público no seu mandato. Uma queda dos juros e a confiança dos empresários poderiam criar um ciclo virtuoso de investimentos privados, fazendo parte do trabalho do setor público. É o caminho correto.
*
Meu querido...
Dilma não vai dizer publicamente --pelo menos, não nesse tom. Mas a ordem interna em alto e bom som é, sim, para o Banco Central reduzir os juros o mais rápido que puder.
Kennedy Alencar escreve na Folha.com às sextas. Na rádio CBN, é titular da coluna "A Política Como Ela É", no "Jornal da CBN", às 8h55 de terças e quintas. Na RedeTV!, apresenta o "É Notícia", programa dominical de entrevista, e o "Tema Quente", atração diária com debate sobre assuntos da atualidade.
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