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nina horta

 

19/09/2012 - 05h44

Desafios de um bufê

Em matéria de encomendas, num bufê, vocês, cozinheiros estudantes, que ainda estão escolhendo o que fazer, todo cuidado é pouco!

Nem pensem que vão poder se dedicar a cozinhar aquilo de que mais gostam e que querem fazer, como num restaurante de autor.

O telefone toca:
"Quero uma festa coreana". Quer? Beeem... Mas quando o pedido é esse, ok. Vai ficando difícil à medida que surgem combinações. Nos cem anos do Japão-Brasil, tínhamos que misturar as duas culturas, como o Nobu mistura a japonesa com a peruana.

Não foi fácil, mas era um desafio, que deu bastante alegria. Acontece que não dá para viver só de desafios. Com a nova onda de comida brasileira, quando as pessoas estão matando a saudade de feijoadas, picadinhos, pernis de porco, mandioca, farinha, estamos felizes como passarinhos.

É também muito bom tentar fazer ainda melhor uma comida que sabemos que todos gostam, que comem com o prazer do costume, e mesmo com o prazer da novidade mesclada com lembranças.

O problema do étnico é amenizado pela compra de livros na internet. Antes que a pessoa desligue, você já pode ter em mãos a receita de um kimchi coreano. Se a noiva é de origem judaica e o noivo, indiano, pasmem, mas é só apertar o botãozinho do Google e lá aparece um livro de comida indo-judaica. Ou da Síria ou do sul da China...

Na verdade, as festeiras não têm obrigação nenhuma de correr atrás de inovações desse tamanho, acontece que são curiosas e embarcam em todas as novidades com alma de criança.

Corremos o risco, com tanta novidade, de não fazer nada bem, cabe a nós próprios colocar o limite. "Ah, você é armênia? Sua avó vem para o casamento? Então que venha aqui nos ensinar esse frango, teremos o maior prazer."

E não é que a avó vem mesmo, felicíssima, contribuir para o casamento do neto e escapar daquelas visitas de Kombi que a família lhe proporciona todos os dias no afã de divertir a família que chegou 15 dias antes e que não fala uma palavra de português? E vem numa simpatia sem fim cozinhar o que mais sabe para o filho, para o neto. Aliás, como são simpáticos os armênios!

Já tivemos aqui canadenses ensinando bolos quentes para tomar com sorvete, cubanos recriando comidas salgadas com abacates, colombianos, mexicanos, noruegueses, suecos, uma bênção!

Dizemos, aflitos: "Chega, devagar com a louça, não é festa típica. Aproveitemos a comida que sabemos fazer aqui, enriquecida com um toque da Galápagos, está bem?"

Porque não acredito que assim, da primeira vez, sem conhecer a cultura, sem conhecer o país, você consiga copiar uma receita tim-tim por tim-tim. Pensa que copia, mas não copia. É a hora de servir, o jeito, o lugar que aquela comida toma na sequência dos pratos... Estiliza-se. Tocamos no assunto com sutileza.

Aumenta o espectro, ficamos mais sabidos, com mais técnicas, utensílios, cresce a criatividade, mas já experimentaram arroz, feijão e farofa, bife e salada fora de casa? Dá até vontade de rir. Alguma coisa vai estar supinamente errada.

nina horta

Nina Horta é escritora, blogueira e colunista de gastronomia da Folha há 25 anos. É formada em Educação pela USP e dona do Buffet Ginger há 26 anos. Escreve às quartas-feira.

 

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