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rita siza
O melhor Verão do esporte britânico
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O melhor Verão de sempre para o esporte britânico fechou com chave de ouro esta semana, quando o tenista escocês Andy Murray conquistou o título de campeão do Aberto dos Estados Unidos em Nova York --acabando com a ansiedade de um país que esperava há 76 por uma vitória de um súbdito de Sua Majestade num torneio do Grand Slam.
"O esporte sempre foi uma grande parte da minha vida desde criança e este foi o melhor Verão em termos de esporte da minha vida e acredito que também da vida da maior parte do pessoal. Foi muito divertido e fico muito feliz por ter tido a oportunidade de participar e contribuir para este sucesso. Foi incrível", disse o tenista, que também foi o campeão olímpico em Londres.
O seu balanço pessoal dos Jogos Olímpicos de 2012 coincide com a apreciação francamente positiva dos comentadores e jornalistas e, também, do público britânico, que correu à rua para aplaudir os seus atletas olímpicos e paralímpicos numa grandiosa parada pelas ruas da capital. Não sei se os organizadores anteciparam ou não essa poderosa ligação emocional da população aos seus novos ídolos esportivos, mas esse será sem dúvida um dos aspectos a acrescentar à lista do "legado" dos jogos deste Verão.
O Reino Unido esqueceu a sua fleuma proverbial, ignorou o decoro e o sentido das conveniências, venceu a timidez e rendeu-se aos excessos dos dois mega eventos esportivos, de alma e coração. A organização dos Jogos foi impecável, sem nenhum dos desastres que se anunciaram: todos os recintos foram construídos a tempo, a rede de transportes suportou o excesso de procura, a paranóia securitária foi apenas uma miragem, os turistas e os residentes não se digladiaram nas ruas de Londres, antes divertiram-se juntos em ambiente solidário e festivo.
Em termos puramente competitivos, os Jogos Olímpicos de Londres dificilmente podiam ter sido melhores. A equipa da casa coleccionou mais medalhas e recordes do que esperavam até os mais optimistas e a plateia internacional vibrou com os desempenhos históricos de super-estrelas como o norte-americano Michael Phelps, o jamaicano Usain Bolt, o queniano David Rudisha --já quase santificados como novos deuses do Olimpo.
Três semanas depois, os Paralímpicos foram uma pequena "revolução" esportiva, com lotações esgotadas a revelarem que a competição entre pessoas com deficiência pode atrair tanto interesse e entusiasmo como o espectáculo anterior. Não foram só os eventos envolvendo o cabeça de cartaz Oscar Pistorius que fizeram manchete; foi sobretudo a nova forma como o público se relaciona com este evento que foi notícia.
Para o Brasil, tudo isto são bons sinais. Os próximos quatro anos de organização e preparação não vão ser fáceis. Mas se a experiência londrina pode servir de lição e de garantia, o Rio de Janeiro pode ter a certeza que com um planeamento cuidadoso das suas obras, o investimento na performance dos seus atletas e o envolvimento da população na festa da sua cidade pode fazer dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 uma experiência verdadeiramente inesquecível. Não vai conseguir evitar as comparações com Londres, mas daqui a quatro anos já ninguém se lembrará dos panegíricos que se escrevem agora, e de certeza absoluta que ninguém vai reclamar por causa do clima!
Rita Siza é jornalista do diário português "Público", onde acompanha temas de política internacional, com ênfase na América Latina. Do futebol ao pebolim, comenta sobre diversos esportes e dedica particular atenção às Olimpíadas. Escreve aos sábados no site da Folha.
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