Publicidade
Publicidade
sílvia corrêa
BICHOS: Do Tatuapé ao Pacaembu
Publicidade
À primeira vista, parecem movimentos contraditórios. De um lado, o primeiro hospital público destinado a cães e gatos "carentes", inaugurado no Tatuapé pela Prefeitura de São Paulo. De outro, o que há de melhor em saúde animal disponível em dois novos hospitais veterinários privados, abertos neste mês na avenida Pacaembu -localizada num dos bairros mais ricos da cidade.
| Ilustração Tiago Elcerdo | ||
![]() |
No Tatuapé, as filas começam de madrugada, com bichos trazidos em caixas de papelão para consulta de graça, financiada com dinheiro público. No Pacaembu, manobristas recebem proprietários em busca de mão de obra especializada (sim, oncologistas, dermatologistas, endocrinologistas etc.) ou de cuidados intensivos, em internações cuja diária pode ultrapassar os R$ 2.500.
Contradição? Não. Apenas facetas de um mesmo movimento social.
Trazidos para dentro de casa e criados como filhos, cães e gatos fazem hoje parte de milhões de famílias paulistanas, verdadeira revolução no status social desses animais.
Para um membro da família é absolutamente aceitável que o governo arque com os custos de seu tratamento de saúde ou que se gaste o que for preciso em sua recuperação.
É essa a lógica por trás dos hospitais do Tatuapé e do Pacaembu -tão diferentes, mas essencialmente tão iguais: eles só existem porque cães e gatos são, hoje, parte de muitas famílias paulistanas.
*
A UTI cuja diária começa em R$ 2.500 funcionará na unidade Pacaembu do Pet Care, um dos melhores hospitais veterinários da cidade. O animal terá cuidados intensivos e exclusivos 24 horas por dia.
O outro novo hospital, na mesma avenida, pertence a uma das maiores redes de pet shops da cidade: a Pet Center Marginal. Nele, os "pais" poderão ficar com o paciente no período de internação, num quarto privativo, com diária de R$ 490.
São as maravilhas da concorrência e da economia de mercado. Os bichos agradecem.
Sílvia Corrêa cursou jornalismo e veterinária. Trabalhou por 13 anos na Folha e, depois, nas principais emissoras de televisão do país. Escreve aos domingos, a cada duas semanas, na revista 'sãopaulo'.
As Últimas que Você não Leu
Publicidade








