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tostão

 

22/08/2012 - 03h00

País dos Neguebas

Durante o Brasileirão, com as chegadas de Ronaldinho, Junior Cesar e Victor para posições deficientes, o Atlético-MG, que já estava bom, ficou muito melhor.

Nas últimas partidas, Ronaldinho foi o principal destaque da equipe e do campeonato. Mestre Cuca esperava que ele fosse o regente, capaz de dar ótimos passes e de colocar mais classe na velocidade organizada. Ele tem sido mais que tudo isso.

No Flamengo, a expectativa era que Ronaldinho jogasse como no Barcelona e de acordo com seu astronômico salário. Quanto maior a expectativa, maior a frustração. No Atlético-MG, ele tem jogado melhor do que se esperava. O torcedor está radiante, pois há muito tempo não via, tão de perto, um jogador fazer tantas mágicas com a bola.

Vágner Love, em vez de Ronaldinho, tem agora Negueba ao seu lado. Negueba é um bom exemplo de jogador que se destaca demais nas categorias de base, por causa da velocidade, e que, no time principal, torna-se comum, mediano. O Brasil é o país dos Neguebas. Fisicamente, ficam prontos mais cedo. É um dos motivos de o país ganhar muitos títulos nas categorias de base.

Esse tipo de jogador, veloz, é produzido em série, para exportação ou para ser titular de um dos grandes clubes brasileiros. Todos correm muito. Com frequência, há mais de um Negueba em uma mesma equipe. Cada um corre por um lado. Raramente, se aproximam para trocar passes.

Esse é o atual estilo brasileiro, de jogadas isoladas, em velocidade, de sobressaltos e de espasmos individuais. Algumas vezes, dá certo.

Felizmente, o Brasil é tão grande, e há tantos meninos querendo ser craques, que, embora cada vez mais raro, surge um Neymar, um Lucas, também velozes, porém com muito mais talento.

Por outro lado, há muito tempo, não aparece um craque no meio- -campo, clássico, uma mistura de volante e de meia, como Xavi. Esse tipo de armador, quando surge nas categorias de base, é deixado de lado, ainda mais se for baixinho, ou é transformado em um meia ofensivo ou em um jogador pelos lados, que vai e que volta, para delírio dos treinadores.

Com o retorno dos campeonatos europeus, fica evidente, ao assistir, em um mesmo dia, a jogos na Europa e no Brasil, a diferença das partidas. Na Europa, a maioria dos jogos é em ótimos gramados, com estádios cheios, com menos tumulto e mais troca de passes. No Brasil, o jogo é mais poluído, até na publicidade das camisas.

Com poucas exceções, as partidas são em gramados ruins, com mais erros dos árbitros, mais discussões, reclamações, trombadas, simulações, carrinhos, cotoveladas e agressões. Uma cafajestagem, como diz Fernando Calazans. Muitos gostam. Acham os jogos emocionantes, intensos.

tostão

Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de descolamento da retina. Como comentarista esportivo, colaborou com a TV Bandeirantes e com a ESPN Brasil. Escreve às quartas e domingos.

 

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