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valdo cruz

 

12/10/2010 - 12h37

Dilma vira Dilma

Eis que surge, no segundo turno, a Dilma Rousseff mais autêntica. A Dilma que partiu para o ataque direto contra o tucano José Serra, no debate da Band, é mais ela mesma. A outra Dilma, contida, dosando as palavras, treinada à exaustão pelo marketing, era uma versão desacelerada da ex-ministra da Casa Civil, quase um arremedo dela.

A petista não tinha outra saída. Precisava sair da defensiva em que se encontrava. Foi para uma zona de risco, calculada, mas com perigos à frente. Se vencer, poderá dizer que ganhou sendo ela mesma. Se perder, ficará com boa parte da responsabilidade pela derrota.

O fato é que a Dilma produto do marketing cumpriu seu papel. Dentro do roteiro traçado pelo marqueteiro João Santana, a petista deixou de ser uma desconhecida, saiu de quase traço nas pesquisas e terminou o primeiro turno com 47% dos votos. Só que faltou gás no final. Parte do eleitorado, necessária para a vitória, ficou desconfiada. Mudou de lado na reta final. Reconquistar esse grupo, na avaliação da candidata, demanda mais exposição, mais autenticidade, mais dela mesma para gerar confiança.

Entramos, então, no cenário ideal imaginado pelos tucanos desde o início da disputa. Os aliados de José Serra sempre contaram que o estilo de Dilma a derrotaria, deixando exposto seu lado agressivo, assustando o eleitorado. Durante o primeiro turno, isso não aconteceu. Prevaleceu a "Dilminha paz e amor", bem treinada pelo marketing, sem escorregões nos debates. Agora, ninguém sabe exatamente os efeitos da mudança de tática do lado petista.

Daí ser grande a expectativa entre tucanos e petistas a respeito do resultado das próximas pesquisas de intenção de voto. Todos institutos têm programados levantamentos para essa semana. A conferir.

Lula e a nova Dilma

O presidente Lula aprovou o desempenho de Dilma no debate da Band. Avalia que a candidata foi ela mesma, saiu da defensiva e surpreendeu o adversário José Serra. O próprio Lula, porém, foi um dos responsáveis pela criação da versão "Dilminha paz e amor". Durante a campanha, mais de uma vez, aconselhou sua candidata a seguir a cartilha do marqueteiro João Santana. Agora, surge como aquele que defende a mudança de tom da candidata.

O fato é que o presidente sentiu que Dilma precisava ser mais ela mesma somente no final do primeiro turno, depois de ouvir críticas principalmente vindas de governadores eleitos. Aliados que sentiram falta de política na campanha petista, classificada por eles de despolitizada e insossa.

Se as próximas pesquisas mostrarem que a tendência de queda de Dilma permanece e o cenário eleitoral mostre um empate entre as duas candidaturas, será interessante aguardar a avaliação presidencial sobre o quadro da campanha.

valdo cruz

Valdo Cruz é repórter especial da Folha. Cobre os bastidores do mundo da política e da economia em Brasília. Escreve às segundas-feiras.

 

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