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valdo cruz

 

26/01/2011 - 09h03

Sob observação

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Quase um mês de governo e a presidente Dilma Rousseff já deixa alguns ministros preocupados com o futuro. Segundo um deles, já ficou claro que "ou a gente se adapta ao estilo dela ou corremos o risco de perder o cargo". Nas palavras desse ministro, Dilma não tem muita paciência com conversas intermináveis, que normalmente não apresentam soluções, mas ficam apenas diagnosticando problemas.

Outro ministro, que também prefere não se identificar, diz que na segunda reunião com a nova presidente sua ficha caiu. "Ela não gosta muito de quem chega sem conhecer profundamente o que está em pauta nem de quem não consegue apontar sugestões para resolver determinados problemas de sua área", relata o ministro sobre sua experiência nos despachos no gabinete presidencial.

Um dos ministros diz ainda que está impressionado com o acompanhamento que a presidente tem feito dos trabalhos de seus subordinados. Ele já foi advertido, por determinação de Dilma, a não fazer certos comentários públicos sobre alguns temas do governo. A advertência, segundo ele, ocorreu por conta de uma declaração que ele havia dado à imprensa. Da qual nem se lembrava. "Eu já não recordava direito o que havia dito, mas ela, pelo visto, lembrava muito bem", disse o ministro, rindo de si mesmo. E ele não foi o único a receber essas ligações do Palácio do Planalto.

Em outras palavras, Dilma está adotando um ritmo de trabalho ao qual boa parte de sua equipe não estava acostumada. Durante o governo Lula, o ex-presidente gostava de fomentar discussões internas sobre projetos, tomando decisões apenas quando seus subordinados começassem a se entender e afinassem o discurso. Era um estilo de um presidente negociador, que buscava conduzir sua equipe de forma consensual para o objetivo que ele havia traçado.

Dilma, contudo, é mais direta. Normalmente, já tem uma opinião sobre a pauta em questão e quer objetividade nas reuniões. Tem o estilo de gerente, seguindo a avaliação de que seu governo será bem sucedido na medida em que ele funcionar com eficiência e rapidez. Portanto, não deve tolerar, segundo um assessor, erros seguidos, um recado para o ministro Fernando Haddad (Educação) e seus problemas recorrentes na execução do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Ele está sob observação.

Tem gente, inclusive, brincando que vai ter ministro que pode aproveitar a volta temporária ao Congresso para refletir se retorna ou não ao governo. Uma referência ao fato de os ministros-parlamentares, aqueles que foram eleitos deputados e senadores, terem de deixar suas pastas para assumir seus mandatos no início de fevereiro. Depois, naturalmente, serão reconduzidos aos devidos cargos. Óbvio que todos, pelo menos por enquanto, preferem se adaptar ao estilo da nova chefe e voltar ao ministério. Até quando, a conferir.

Valdo Cruz

Valdo Cruz é repórter especial da Folha e colunista da Folha.com. Cobre os bastidores do mundo da política e da economia em Brasília. Escreve às terças-feiras.

 

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