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valdo cruz

 

31/05/2011 - 07h02

Palocci: de transformador a correia de transmissão

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Era para ele ser o filtro do governo, o transformador de tensão, aquele que deixaria o Palácio do Planalto mais leve e suave nos contatos com a base de apoio. Virou a correia de transmissão, repassando até com uma voltagem maior toda insatisfação da presidente Dilma Rousseff com seus aliados, em particular o PMDB.

Talvez essa seja uma boa explicação para o que vem acontecendo e atingiu seu ponto mais elevado no relacionamento do governo Dilma com os partidos que formam sua base de apoio no Congresso. Ao repassar o tom belicoso de Dilma contra o PMDB, inclusive a ameaça de demissão de ministros peemedebistas, Palocci só fez agudizar algo que já estava ruim.

A pergunta que se faz é onde foi parar o ministro habilidoso, como sempre foi classificado dentro do Legislativo até pela oposição, aquele que era tido como o melhor interlocutor para as missões mais complicadas de negociações políticas do governo? Onde está o ministro destinado a reduzir o nível de tensão de um Planalto comandado por uma presidente com fama de durona e explosiva?

A crise que o atingiu depois que a Folha revelou a multiplicação de seu patrimônio explica, com certeza, boa parte desse sumiço. Acuado pelo momento de tensão, Palocci parece ter perdido o seu característico ar de tranquilidade e partiu para o ataque. Sobrou para quem estava a seu lado.

As insatisfações da base de apoio com Palocci, porém, começaram antes de ele ficar no centro das turbulências que agitam o governo Dilma. Só não tinham ganhado repercussão e publicidade. Mas já incomodavam peemedebistas, petistas e outros aliados, queixosos da falta de espaço na agenda do ministro da Casa Civil e de seu novo comportamento, arredio e até belicoso, tal como a chefe.

Isso mesmo. Parece que Palocci, em vez de funcionar como um transformador de tensão do governo, acabou refletindo, em certa dose, o estilo Dilma no relacionamento com os aliados. Resultado: gerou um curto circuito nas suas relações com a base aliada. Em especial o PMDB. Logo o partido essencial para ele se livrar das convocações e CPIs no Congresso. Tudo muito estranho.

Valdo Cruz

Valdo Cruz é repórter especial da Folha e colunista da Folha.com. Cobre os bastidores do mundo da política e da economia em Brasília. Escreve às terças-feiras.

 

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