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valdo cruz
Aposta na convicção fiscal
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Dilma Rousseff não inspirava muita confiança no quesito austeridade fiscal. Fruto, em boa parte, de suas disputas durante o governo Lula com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O fato é que, justa ou injustamente, Dilma ficou com a fama de que não era muito adepta da contenção fiscal. Ficou com a fama de quem classificou de "rudimentar" uma proposta para zerar o deficit público nominal.
Presidente, ela emite sinais de que mudou de posição. Segundo um ministro palaciano, Dilma fez várias consultas antes de tomar sua decisão de reforçar o ajuste fiscal em curso. Optou pelo caminho porque se convenceu de que ele poderá permitir uma derrubada na taxa de juros. E essa, lembra esse ministro, é uma das suas maiores obsessões na área econômica.
Desde quando era ministra da Casa Civil, Dilma insistia que era necessário acabar com a elevada taxa de juros no país, uma distorção de nossa economia, que dificulta e muito o aumento do investimento público por drenar recursos para o setor financeiro. Não por outro motivo Henrique Meirelles, presidente do Banco Central no governo Lula, era alvo de suas críticas por ser muito conservador.
Apesar da mudança de posicionamento, um observador atento da cena brasiliense lembra que até agora Dilma não veio a público para fazer uma defesa plena da nova linha na área fiscal. Ou seja, ela poderia estar apenas fazendo uma inflexão momentânea, que poderia ser abandonada de acordo com as circunstâncias econômicas.
O auxiliar da presidente garante que não. Diz que ela realmente está convicta de que precisa fazer um forte ajuste fiscal neste e no próximo ano para garantir uma queda significativa na taxa de juros. Quanto a 2013, o ministro não faz nenhuma aposta. Diz que está longe demais. A conferir.
BOA NOTÍCIA
Transparência é uma das melhores armas contra corrupção. Daí que se trata de uma boa notícia o sistema que o Ministério de Ciência e Tecnologia está desenvolvendo e deve colocar no ar até o final do ano dando acesso livre não só aos gastos da área como também permitindo acompanhamento detalhado das despesas e da evolução de programas da pasta.
Batizado de Plataforma Aquarius, o programa é um passo além do Portal da Transparência da Controladoria Geral da União, que também permite acessar os gastos do governo federal. Pelo projeto do MCT, será possível verificar, pela internet, quanto foi gasto, por exemplo, com um determinado veículo do ministério, identificando não só as despesas mas também quais são os defeitos mais recorrentes daquele automóvel.
O programa terá painéis mostrando como está a execução de projetos, com indicadores se eles estão no cronograma, disparando alertas em caso de descompasso com as metas traçadas pelo ministro. "A transparência é a melhor vacina para melhorar o gasto público e ter mais controle social sobre as iniciativas do governo", afirma o ministro Aloizio Mercadante.
Valdo Cruz é repórter especial da Folha e colunista da Folha.com. Cobre os bastidores do mundo da política e da economia em Brasília. Escreve às terças-feiras.
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