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01/02/2012 - 07h57

Investimento do governo dá projeção mundial à cozinha coreana

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VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
ENVIADO ESPECIAL A MADRI

A cozinha coreana não é feita de carne de cachorro, como diz o folclore e mostram algumas notícias de jornal.

Com atraso em relação à projeção culinária de China, Japão e Tailândia, na semana passada a Coreia do Sul foi a atração do "Madrid Fusión", um dos mais prestigiados festivais de gastronomia.

Luiza Sigulem/Folhapress
Bibimbap e seus acompanhamentos no restaurante Bicol
Bibimbap e seus acompanhamentos no restaurante Bicol

Na Espanha das espumas, das esferificações e dos melhores restaurantes do mundo, não se falava outra coisa. Até um ônibus circulava pela periferia servindo kimchi.

Para chegar lá, uma política de Estado levou a sério a vocação gastronômica, profissionalizou cozinheiros, didatizou técnicas e, dois anos atrás, criou a "Korean Food Foundation", uma instituição privada integralmente custeada pelo governo.

A ideia veio da primeira-dama, Kim Yoon-ok, que antes havia compilado um livro de receitas tradicionais para dar de presente a chefes de Estado em visitas oficiais.

Nesse curto tempo, mandaram chefs experientes treinar jovens cozinheiros de comida típica mundo afora -para que fizessem pratos mais autênticos-, publicaram guias de restaurantes coreanos nos países da Europa, em língua local, e foram o foco de curiosidade do "Madrid Fusión".

"Há cinco anos queríamos participar deste festival e trabalhamos objetivamente para isso", diz Hira Song, vice-presidente da "Korean Food".

MUCHO GUSTO

Até um vizinho nosso estava lá, com o estande "Peru, mucho gusto", um trocadilho de "prazer em conhecê-lo" com "muito sabor".

No Gastronomika, um festival cujo um dos temas era o Brasil, também na Espanha, em novembro, a comitiva brasileira teve de custear a viagem do próprio bolso. Aplaudido, Alex Atala disse que estavam ali "como índios".

Com a evidência na Copa e na Olimpíada, o Brasil, com a variedade regional, a abundância de ingredientes e o nível de apuração técnica que os chefs daqui chegaram nos últimos anos -com três restaurantes na lista dos melhores do mundo-, não faz o mesmo que a Coreia do Sul porque não quer.

 

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