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Começa assembleia que vai decidir rumo dos protestos na USP
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RAFAEL SAMPAIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Atualizado às 21h02.
Começou por volta das 20h20 a assembleia dos estudantes da USP que decidirá o rumo dos protestos na universidade. Entre os assuntos que serão debatidos, está a proposta do DCE (Diretório Central dos Estudantes) de realizar um novo protesto nesta quinta-feira (9).
Vídeos mostram ação da polícia na USP; veja
Veja imagens da reintegração de posse na USP
Após desocupação, reitoria da USP tem bagunça e pichação
Vídeo mostra invasão do prédio da reitoria da USP
Advogados dos alunos detidos na USP pedem habeas corpus
Cerca de 2.000 estudantes participam do ato no prédio do curso de história, na Cidade Universitária.
Nesta terça-feira, 72 estudantes foram presos durante a reintegração de posse da reitoria. Segundo o delegado Dejair Rodrigues da Seccional de São Paulo, outros três alunos foram levados e liberados em seguida porque não estavam envolvidas na invasão do prédio da universidade, ocorrida na madrugada do dia 2 de novembro.
Inicialmente a PM informou que 70 alunos estavam detidos. Por volta das 20h, a polícia reviu o número e informou que entre os 72 há quatro funcionários da USP e um aluno da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).
REINTEGRAÇÃO DE POSSE
A reintegração de posse do prédio da reitoria da USP ocorrreu por volta das 5h desta terça-feira. Segundo a PM, os estudantes estavam dormindo quando a operação começou. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM foram acionados, além de um helicóptero Águia e de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e do GOE (Grupo de Operações Especiais).
Os militares, portando cassetetes e escudos, fizeram um cordão de isolamento ao redor do prédio e retiraram os estudantes, que não resistiram à prisão. O prédio foi entregue pela polícia a um oficial de Justiça, já que a operação foi motivada por um mandado judicial.
| Rahel Patrasso/Frame/Folhapress | ||
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| Estudantes que haviam invadido a reitoria da USP são rendidos por policial militares; 70 alunos foram detidos |
VIOLÊNCIA
Os estudantes detidos reclamam do tratamento que receberam da polícia. "A atuação foi brutal, uma presença muito forte e desproporcional. Para que agredir os estudantes, usando algemas? Os policiais quebraram várias portas da reitoria onde a gente nem tinha entrado. Temos consciência de que essa perseguição é política", disse Paulo Fávaro, 26, aluno de artes visuais.
Sob a condição de anonimato, os pais dos estudantes também reclamaram da atuação da PM. Numa folha de papel, eles escreveram uma carta à mão em que criticam a operação.
"Nós, pais de alunos da USP, repudiamos o modo como foi conduzido pela reitoria o processo envolvendo o movimento dos estudantes. Repudiamos a ação repressiva e truculenta das forças policiais no campus da universidade nessa madrugada de terça-feira. Estamos indignados com o fato de que uma instituição educativa utiliza como principal instrumento de solução de conflito social o uso da força policial. Nossos filhos são estudantes e não bandidos e estão em defesa de uma universidade onde existam debates democráticos", diz o texto.
O major da PM Marcel Soffner afirmou que a reintegração de posse foi tranquila e sem confronto. Sobre os possíveis abusos, o major informou que toda operação da PM foi gravada e as suspeitas de agressões serão apuradas. "Tudo foi documentado e, se houver qualquer suspeita, vamos apurar", disse.
HISTÓRICO
Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia --depois eles foram liberados.
Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício.
A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria. A USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).
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