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Luiz Baggio Neto (1955-2011) - Editor que lutou pelas pessoas com deficiência
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ESTÊVÃO BERTONI
DE SÃO PAULO
O único movimento que restou a Luiz Baggio Neto após a poliomielite foi o da mão esquerda. Ele pegou a infecção viral --que causa enfraquecimento e paralisia muscular-- aos dois anos.
Desde então, teve todo o conforto necessário, como conta a mãe, Iracema, professora de piano que se dedicou à família após o casamento.
O ideal do filho, diz ela, era que todos os deficientes tivessem as facilidades com as quais ele pôde contar. Por isso, tornou-se um militante.
De julho de 2008 a outubro de 2009, chegou a ser secretário-adjunto da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de SP.
Paulistano, Luiz fez letras na USP, mesma universidade em que seu pai, Domingos, deu aulas de parasitologia.
Foi tradutor e editor. Também trabalhou em rádio e como assistente editorial no Clube do Livro. Nos anos 80, colaborou com esta Folha escrevendo sobre literatura.
Passou a ser um ativista desde a década de 80. Sempre que chegava a um lugar que não tinha rampa, ou se via alguém usando indevidamente uma vaga de deficiente, brigava, lembra a mãe.
Deu assessoria em projetos para deficientes, dirigiu o Instituto Brasileiro da Diversidade e ajudou a fundar a Associação Brasileira de Síndrome Pós-Pólio, que presidiu.
Segundo a família, Luiz era sempre visto como um exemplo por sua inteligência e determinação. A mãe conta que o filho se preparava para se candidatar a vereador.
Nos últimos anos, foi se enfraquecendo e não conseguia mais comer sem ajuda. Morreu na segunda-feira (7), aos 56, de problemas pulmonares.
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