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Taxa de homicídio no Brasil mais do que dobra em 30 anos
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DE SÃO PAULO
Os homicídios no Brasil tiveram aumento de 259% no período de 30 anos, segundo a pesquisa divulgada pelo Instituto Sangari nesta quarta-feira. Segundo o "Mapa da Violência", o número passou de 13,9 mil em 1980 para 49,9 mil em 2010.
Com o crescimento da população nesses 30 anos, a taxa de homicídios passou de 11,7 em cada grupo de 100 mil habitantes em 1980 para 26,2 em 2010. A pesquisa foi feita com base em informações do Ministério da Justiça e do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.
De acordo com o relatório, a média anual de mortes por homicídio no país supera o número de vítimas de enfrentamentos armados no mundo. Entre 2004 e 2007, 169,5 mil pessoas morreram nos 12 maiores conflitos mundiais. No Brasil, o número de mortes por homicídio nesse mesmo período foi 192,8 mil.
"Fica difícil compreender como, em um país sem conflitos religiosos ou étnicos, de cor ou de raça, sem disputas territoriais ou de fronteiras, sem guerra civil ou enfrentamentos políticos violentos, consegue-se exterminar mais cidadãos do que na maior parte dos conflitos armados existentes no mundo", diz o documento.
Apesar do número alto, o relatório aponta uma ruptura no crescimento da taxa de homicídios a partir de 2003, com oscilações para baixo e para cima até 2010.
O estudo indicam que fatores como as políticas de desarmamento, planos e recursos federais e estratégias de enfrentamento fizeram com que as taxas oscilassem.
Os dados apontam que os Estados que lideravam as estatísticas no início da década apresentaram quedas nesse tipo de crime. São Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, apresentam reduções de 63,2% e 42,9%, respectivamente.
INTERIOR
De acordo com a pesquisa, a criminalidade continua crescendo no interior do país e, se os índices de homicídio continuarem aumentando, em menos de uma década as taxas do interior deverão ultrapassar as das capitais e regiões metropolitanas.
Até o ano 2000, os municípios que registraram maior crescimento nos índices eram os que superavam os 100 mil habitantes, principalmente aqueles com mais de 500 mil habitantes. Na última década, o crescimento dos homicídios centrou-se nos municípios de menor tamanho, principalmente na faixa de 20 a 50 mil habitantes.
Em 1995, as capitais e regiões metropolitanas tinham uma taxa de 40,1 homicídios em 100 mil quando no interior era de 11,7 --quase quatro vezes menor. Em 2010, o índice das capitais e regiões metropolitanas caiu para 33,6 e o do interior aumentou para 22,1.
Em 15 municípios, os índices ultrapassam a casa dos 100 homicídios em cada 100 mil habitantes --uma taxa praticamente quatro vezes maior que a já elevada média nacional de 26,2 homicídios em 100 mil habitantes. Segundo o estudo, as cidades de Simões Filho (BA), Campina Grande (PB), Marabá (PA), Guaíra (PR) e Porto Seguro (BA) ocupam as primeiras posições do ranking.
O aumento da violência no interior, segundo o estudo, é resultado da estagnação econômica nas grandes capitais e regiões metropolitanas, dos investimentos na segurança e a consequente melhoria da eficiência repressiva nos grandes centros e o surgimento de novos polos de crescimento no interior de diversos Estados.
O relatório também destaca que 2.232 dos 5.565 municípios existentes no país em 2010 não registraram homicídio. Entre 2008 e 2010, não houve ocorrência de homicídios em 1.098 municípios, ou 19,7% do total.
De acordo com o estudo, a interiorização da violência demonstra a falta de políticas específicas para combater a criminalidade em municípios de médio e pequeno porte. "Consideramos que, para enfrentar as novas modalidades da violência homicida no país, são necessárias políticas públicas em condições de dar conta das recentes reformulações e deslocamentos."
| Taxas de homicídio por 100 mil habitantes | |||
|---|---|---|---|
| UF | 2000 | 2010* | Variação (%) |
| Acre | 19,4 | 19,6 | 1,3 |
| Amapá | 32,5 | 38,7 | 19,1 |
| Amazonas | 19,8 | 30,6 | 54,6 |
| Pará | 13 | 45,9 | 252,9 |
| Rondônia | 33,8 | 34,6 | 2,5 |
| Roraima | 39,5 | 27,3 | -30,8 |
| Tocantins | 15,5 | 22,5 | 45,3 |
| Alagoas | 25,6 | 66,8 | 160,4 |
| Bahia | 9,4 | 37,7 | 303,2 |
| Ceará | 16,5 | 29,7 | 79,8 |
| Maranhão | 6,1 | 22,5 | 269,3 |
| Paraíba | 15,1 | 38,6 | 156,2 |
| Pernambuco | 54 | 38,8 | -28,2 |
| Piauí | 8,2 | 13,7 | 66,4 |
| Rio Grande do Norte | 9 | 22,9 | 153,9 |
| Sergipe | 23,3 | 33,3 | 42,9 |
| Espírito Santo | 46,8 | 50,1 | 7,1 |
| Minas Gerais | 11,5 | 18,1 | 57,1 |
| Rio de Janeiro | 51 | 26,2 | -48,6 |
| São Paulo | 42,2 | 13,9 | -67 |
| Paraná | 18,5 | 34,4 | 86 |
| Rio Grande do Sul | 16,3 | 19,3 | 18,1 |
| Santa Cata rina | 7,9 | 12,9 | 63,1 |
| Distrito Federal | 37,5 | 34,2 | -8,8 |
| Goiás | 20,2 | 29,4 | 45,6 |
| Mat o Grosso | 39,8 | 31,7 | -20,2 |
| Mat o Grosso do Sul | 31 | 25,8 | -16,7 |
| Brasil | 26,7 | 26,2 | -2 |
| Fonte: Instituto Sangari, com base no Ministério da Saúde *dados preliminares | |||
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