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Rota entra em operação da PM na cracolândia
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JULIANNA GRANJEIA
AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO
A Polícia Militar informou nesta terça-feira que a segurança na cracolândia, região central de São Paulo, foi reforçada a partir de hoje. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tida como a tropa de elite da PM paulista, passa a fazer parte da operação.
Veja imagens da ação policial na cracolândia
Promotores abrem inquérito para investigar ação na cracolândia
Grupo promove "churrascão de gente diferenciada" na cracolândia
Cracolândia ainda tem tráfico à luz do dia
O número total de policiais militares na nova fase da Ação Integrada Centro Legal passa a ser de 287, destes 152 são da Rota, 120 do policiamento comum, 12 bombeiros e três do grupamento aéreo. São 117 carros e 26 motos, além do apoio ao patrulhamento com bicicletas, 40 cavalos, 12 cães farejadores e o helicóptero Águia.
Segundo a PM, a segurança foi reforçada em bairros como o Bom Retiro, Santa Cecília e Higienópolis. O objetivo é não deixar que os usuários se aglomerem em outros bairros próximos. "A migração já era prevista", afirmou o tenente Flávio Martinez, do 13º Batalhão, comandante da operação na Nova Luz, por meio de nota.
Bases comunitárias móveis da polícia estão instaladas nas praças Júlio Prestes, Princesa Isabel, República e Vilaboim, e nos largos do Arouche e da Santa Cecília.
Até as 17h de hoje, 51 pessoas haviam sido presas desde o início da operação --foram 23 prisões em flagrante e 28 foragidos da Justiça recapturados. Foram recolhidas 61,3 toneladas de lixo na região.
| Danilo Verpa-9.jan.12/Folhapress | ||
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| Policial militar joga gás de pimenta contra supostos usuários de crack durante operação; veja outras fotos |
MINISTÉRIO PÚBLICO
Um inquérito civil foi instaurado em conjunto por quatro promotorias para investigar a operação iniciada no dia 3 pela Polícia Militar na cracolândia, no centro de São Paulo. Segundo os promotores de Habitação, Direitos Humanos (Inclusão Social e Saúde) e da Infância e Juventude, o objetivo é descobrir quem está comandando a ação e se houve improbidade administrativa.
Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira, eles caracterizam como "desastrosa" a ação, que teria boicotado o trabalho que já estava sendo feito na região.
A principal crítica dos promotores é que a operação foi realizada antes da inauguração do centro de acolhimento para usuários de drogas, localizado na rua Prates, região central.
O grupo marcou uma reunião com os órgãos envolvidos para o próximo dia 13 a fim de decidir o que pode ser feito e quem pode ser responsabilizado.
Os promotores ainda foram questionados se operação teria sido deflagrada para tentar impedir uma intervenção do governo federal na região. "Não é possível fazer esta afirmação, mas temos que lembrar que é um ano eleitoral", disse o promotor Maurício Lopes, da promotoria de Habitação.
GOVERNO
Após a manifestação da Promotoria, a Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania divulgou uma nota informando que o governo do Estado de São Paulo está à disposição para fornecer qualquer informação que for solicitada pelo Ministério Público.
"O Governo do Estado de São Paulo reafirma que as ações de combate ao tráfico de drogas e de assistência aos dependentes químicos vêm sendo planejadas em conjunto com a Prefeitura há pelo menos três meses. Membros do Ministério Público e do Poder Judiciário participaram de reuniões e muitas das sugestões foram contempladas. Desde o princípio, Governo e Município foram claros em relação ao cronograma e ao caráter contínuo e de longo prazo da operação. Os resultados obtidos nestes primeiros dias estão dentro do planejado", diz o comunicado.
PROTESTO
O coletivo Dar (Desentorpecendo a Razão) está organizando um "churrascão de gente diferenciada" na cracolândia, na rua Helvétia esquina com a rua Dino Bueno, região central de São Paulo, no sábado (14) às 16h.
Mais de 1.000 pessoas confirmaram presença no evento criado no Facebook até a tarde desta terça-feira. A intenção é protestar contra a ação da PM na região, "o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas".
A expressão "gente diferenciada" foi usada por uma moradora em entrevista à Folha, no início do ano passado, para descrever os "mendigos e drogados" que a construção de uma estação de metrô atrairia para a região de Higienópolis (bairro nobre na zona oeste de São Paulo). Na época, houve um "churrascão de gente diferenciada" no bairro.
No Facebook, o coletivo explica que a expressão foi escolhida para nomear o protesto "porque na cracolândia todo mundo é gente como a gente".
| Danilo Verpa-9.jan.12/Folhapress | ||
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| Policial militar de moto intimida usuários de crack na esquina das ruas Guaianazes e Aurora, no centro de SP |
"Sem oferecer alternativas decentes aos usuários que são dependentes e sem respeitar os direitos humanos deles e dos outros usuários, trabalhadores e frequentadores da região da Luz, o governo paulista vem ocupando militarmente, desde o dia 3 de janeiro, a zona conhecida como cracolândia. Higienismo, preconceito, segregação, violência, intolerância, tortura, abuso de autoridade e mesmo suspeitas de assassinato passaram a ser ainda mais constantes nos dias e principalmente nas madrugadas do bairro", diz o convite para o protesto.
A operação policial nas ruas da cracolândia começou na terça-feira (3) passada e causou a dispersão dos usuários para as ruas da região.
A atuação da PM foi marcada por correria, bombas de efeito moral e tiros de balas de borracha entre a noite de sábado (7) e a madrugada de domingo (8). Ao menos cem pessoas que se aglomeravam na rua dos Gusmões foram dispersadas pela polícia.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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| Ação na cracolândia 7.jan |
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