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25/01/2012 - 07h00

Santana: Gente que vai, gente que vem

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VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

Enquanto se transformava em reduto das baladas e tomava ares de boemia, Santana, na zona norte de SP, também ganhou uma nova área nobre ao norte da rua Voluntários da Pátria, próximo ao hospital do Mandaqui, onde surgem apartamentos de alto padrão a cada dia.

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Mas, ao mesmo tempo em que essas transformações ocorriam, o bairro perdeu parte expressiva de sua população, enquanto a zona norte, como um todo, ganhou. Cerca de 20 mil moradores deixaram o distrito desde 1990. Hoje Santana tem 118 mil habitantes, tantos quanto tinha na década de 1970.

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O publicitário Fábio Teixeira, 45, "nadou contra a maré". Foi morar no bairro há 30 anos, um pouco acima do novo "Alto de Santana", hoje o ponto mais chique do lugar.

Com a chegada dos prédios, ao redor do Santana Parque Shopping, ele lamenta a perda da vista da janela de seu apartamento. "Já não consigo mais ver o Copan."

Outro motivo de descontentamento é o trânsito que pega para conseguir chegar até a marginal Tietê.

Tanto para a pesquisadora da Geografia da USP, Lívia Fioravanti, quanto para a urbanista Eunice Abascal, da FAU-Mackenzie, faz parte da dinâmica das metrópoles a valorização das áreas com a subsequente saída dos moradores de menor renda.

Tuca Vieira/Folhapress
Fábio Teixeira, 45, publicitário que escolheu morar em Santana, na zona norte de São Paulo
Fábio Teixeira, 45, publicitário que escolheu morar em Santana, na zona norte de São Paulo, há 30 anos

À medida que a região encarece, as pessoas de classes mais baixas tendem a ir para áreas mais distantes e menos valorizadas.

A "migração" dessas pessoas na cidade costuma ter como destino regiões com menos infraestrutura, e longe do metrô. Em Santana, há cinco estações da linha 1-azul, enquanto o restante da zona norte não tem nenhuma.

"Novas centralidades geram novas periferias, pode ser até no mesmo bairro", explica Fioravanti.

Para a pesquisadora, uma explicação possível para a queda no número de habitantes, apesar dos novos prédios que surgiram no bairro, é a mudança do perfil da população. Saem famílias grandes e entram em cena as com maior renda e menos filhos.

FORASTEIROS

Não apenas o perfil dos moradores de Santana mudou ao longo dos anos.

O novo comércio e os bares recém-chegados também ocupam casas onde antes viviam famílias, observa o empresário Eduardo Britto, 49, especialmente nas imediações das estações de metrô.

De mudança em mudança, o "novo" bairro de classe média alta da zona norte atrai também um comércio mais sofisticado e já vê até o lançamento de prédios de escritórios de alto nível.

Além, é claro, da transformação de Santana em "point" das baladas, com a Dumont Villares e Engenheiro Caetano Álvares repletas de bares, restaurantes e casas noturnas.

Antes tomada por inúmeros sítios e chácaras, o desenvolvimento de Santana ganhou impulso com a construção da ponte das Bandeiras, parte do "plano de avenidas" do prefeito Prestes Maia, no início da década de 1940. A inauguração da marginal Tietê, em 1957, consolidou o crescimento da zona norte.

 

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