Publicidade

 

Publicidade

 

PUBLICIDADE

 
 
  Acompanhe a Folha.com no Twitter
26/01/2012 - 04h21

Após 21 presos e 14 carros queimados, PM encerra ação no Pinheirinho

Publicidade

 

DE SÃO PAULO

A Polícia Militar encerrou na noite desta quarta-feira (25) a operação de reintegração de posse do terreno na área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de São Paulo).

Veja imagens da reintegração no Pinheirinho
Espancado, líder dos sem-teto critica a Guarda Civil
Pinheirinho teve mais de 1.600 casas demolidas
PM infiltrou homens antes de reintegração em SP
Ex-moradores não descartam nova invasão
Retirada de famílias do Pinheirinho ignorou ação social

Todos os policiais já haviam deixado a área por volta das 20h. Agora, segundo a PM, cabe à massa falida da empresa Selecta, proprietária do terreno, zelar pelo seu patrimônio. Líderes do movimento de ex-moradores disseram ontem que não estava descartada uma nova invasão.

A reintegração de posse começou no último domingo, após acerto para o cumprimento de decisão da Justiça. Protestos de moradores, que estavam na área desde 2004, terminou em confronto com policiais militares e guardas civis.

Ex-moradores e entidades favoráveis à permanência deles na área acusam as autoridades de violência na repressão ao protesto.

Ontem, a PM divulgou nota defendendo que atuou "em apoio aos oficiais de Justiça para que a área fosse desocupada dentro da legalidade e com respeito incondicional aos direitos humanos e às pessoas" e que, "caso algum fato pontual tenha se desviado dessa orientação, será rigorosamente apurado".

Fernando Donasci-22.jan.2012/Folhapress
Policias em confrontos com moradores durante reintegração de posse do Pinheirinho, em São Jose dos Campos (SP)
Policias entram em confronto com moradores na reintegração de posse do bairro Pinheirinho; veja outras imagens

Três pessoas ficaram feridas segundo as informações oficiais, embora a Folha tenha presenciado outras agressões contra moradores.

A prefeitura da cidade afirma que houve apenas um ferido, por tiro. Levada ao pronto-socorro, a vítima passou por cirurgia e seu estado de saúde é estável.

Segundo o último balanço da PM, 21 pessoas foram presas na operação, entre eles 7 procurados da Justiça. Os outros 14 foram presos em flagrante, segundo a polícia, por crimes como roubo, tráfico, furto e porte ilegal de arma. Até a manhã desta quarta, 14 veículos haviam sido incendiados na região.

FAMÍLIAS

De acordo com a prefeitura, 3.150 ex-moradores do Pinheirinho foram cadastrados e encaminhados para abrigos, onde receberam kit de higiene e fraldas para crianças. Eles vão permanecer abrigados até a definição de sua situação.

Eduardo Anizelli-24.jan.12/Folhapress
Ex-moradora do Pinheirinho, Ana Paula da Conceição, 23, se desespera a casa demolida após reintegração
Ex-moradora do Pinheirinho, Ana Paula da Conceição, 23, se desespera a casa demolida após reintegração

A Defensoria Púbica pede um acolhimento em abrigos melhores para os ex-moradores, mas o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que eles receberão R$ 500 para pagar aluguel até que conjuntos habitacionais fiquem prontos.

Parte dos moradores preferiu deixar a cidade e receberam passagens de ônibus pagas pela prefeitura.

A última leva de moradores do Pinheirinho, que não quis ir para abrigos nos primeiros dias e se instalou na paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, foi transferida para o centro poliesportivo do Jardim Morumbi nesta quarta.

Muitos moradores reclamam que não tiveram tempo de retirar seus pertences antes da demolição de suas casas. A prefeitura diz que organizou as retiradas de quem procurou os agentes municipais, inclusive fazendo o transporte de móveis para outros endereços.

POLÊMICA

A reintegração de posse gerou polêmica entre as autoridades estaduais e federais.

No domingo, o secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, acompanhava as negociações com os moradores e, durante o protesto, acabou atingido na perna por uma bala de borracha.

No dia seguinte, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, disse que a Policia Militar havia transformado a área em uma "praça de guerra".

O governador Alckmin rebateu, dizendo que a ação da PM ocorreu em cumprimento a uma ordem judicial e que um juiz acompanhou toda a ação. Sobre a atitude dos policiais, afirmou que eventuais abusos seriam investigados.

Editoria de Arte/Folhapress

IMBRÓGLIO

Ao longo da semana passada, um imbróglio entre diferentes esferas do Judiciário fez o caso ser transferido diversas vezes entre a Justiça federal e estadual. Esta última foi a que concedeu para os proprietários a ordem de reintegração de posse, inicialmente marcada para o dia 17.

Mas a Justiça Federal entendeu que o caso era de sua competência e, na sexta-feira (20), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu a reintegração e transferiu o caso para o âmbito federal.

O juiz federal Antonio Cedenho, que analisou o caso, entendeu que a disputa envolvia a União, já que o governo federal havia manifestado interesse em participar de uma solução para o impasse.

O caso foi levado ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), que entendeu que era válida a ordem original da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, que havia determinado a reintegração.

Ontem, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Cezar Peluso, arquivou a ação da Associação Democrática por Moradia e Direitos Sociais de São José dos Campos e encerrou, por enquanto, os recursos contra a reintegração. O mérito do caso ainda será analisado na Justiça.

Editoria de arte/Folhapress
 

Sobre a Folha | Expediente | Fale Conosco | Mapa do Site | Ombudsman | Erramos | Atendimento ao Assinante
ClubeFolha | PubliFolha | Banco de Dados | Datafolha | FolhaPress | Treinamento | Folha Memória | Trabalhe na Folha | Publicidade

Publicidade

 

Publicidade

 

Publicidade