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27/01/2012 - 19h49

Sócio de empresa que fazia reforma no Rio nega irregularidades

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DO RIO

Atualizado às 20h19.

Sérgio Alves, sócio-diretor da empresa TO - Tecnologia Organizacional, afirmou em entrevista nesta sexta-feira que as obras realizadas no 3º e 9º andar do edifício Liberdade, que desabou quarta-feira (25), não tinha irregularidades. A tragédia já deixa 16 mortos.

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De acordo com Alves, as intervenções retiraram apenas paredes de tijolos, o que, segundo ele, não altera a estrutura do prédio.

"O que altera a estrutura é parede de concreto ou com alguma viga. Não havia isso", disse ele.

Alves disse que, por esse motivo, não havia necessidade de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) assinada por um engenheiro.

O laudo da obra no 3º andar foi feito após ter sido exigida pelo síndico do prédio, Paulo Renha. A do 9º, iniciada há oito dias, segundo Alves, ainda não tinha laudo por problemas pessoais do engenheiro Paulo Brasil.

Ele disse que a planta apresentada para as obras do 3º e 9º andar foi feita pela gerente da TO, Cristiane Azevedo, copiada de projeto anterior feito por uma arquiteta por ocasião de obra feita pela empresa em outro andar.

"Eu trabalhava ali todos os dias, tinha amigos, pessoas que eu formei ali, que frequentavam a minha casa. Não faria algo para ocorrer isso", disse Alves.

Juca Varella/Folhapress
Operários observam papeis e álbum de fotos retirados dos escombros de três prédios no centro do Rio
Operários observam papeis e fotos retirados dos escombros dos três prédios no centro do Rio; veja mais fotos

Mais cedo, Lucia Navarro, mulher do empresário Roberto Monteiro, outro sócio da TO, chamou de "irresponsáveis" as acusações contra a empresa.

Em sua página no Facebook, ela comentou: "Isso é um ato irresponsável por parte da imprensa, do Crea [conselho de engenharia e arquitetura do Rio] e da prefeitura. Uma reforma para decoração não derruba um prédio".

SUSPEITAS

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou ontem (26) que os indícios apontam que é improvável que o desabamento dos três prédios tenha sido causado por uma explosão. A principal hipótese aponta para um problema na estrutura de um dos prédios.

O ajudante de obras Alexandre Fonseca, 31, que sobreviveu ao desabamento ao se abrigar dentro do elevador, afirmou, porém, que não mexeu em pilares, vigas e lajes, que poderiam comprometer a estrutura do local.

Segundo o Crea, não havia qualquer registro da obra que estava sendo realizada em dois andares do edifício Liberdade. A prefeitura afirma que os imóveis estavam em situação regular.

Victor R. Caivano/Associated Press
Bombeiro busca vítimas nos escombros dos prédios que caíram no centro do Rio; veja galeria de fotos
Bombeiro busca vítimas nos escombros dos prédios que caíram no centro do Rio; veja galeria de imagens

VÍTIMAS

De acordo com a Defesa Civil, as 13 vítimas já resgatadas são 7 homens e 6 mulheres. Os últimos corpos encontrados estavam em um local onde seria uma das saídas do edifício Liberdade, de 18 andares, o primeiro que desabou.

Os bombeiros dizem acreditar que no local podem ser achados outros corpos de pessoas que tentavam sair do prédio antes do desabamento, por isso o trabalho das equipes está concentrado na área, inclusive com cães farejadores.

Até a tarde de hoje, quatro vítimas já tinham sido identificadas. São elas: o zelador Cornélio Ribeiro Lopes, 73; sua mulher, Margarida Vieira de Carvalho, 73; o catador de papelão Moisés Moraes da Silva (idade não revelada); e Celso Braga Cabral Filho, 44, que já foi enterrado.

Juca Varella/Folhapress
Vítima de desabamento, Celso Braga Cabral Filho, 44, é enterrado no cemitério do Muruí, em Niterói (RJ)
Vítima de desabamento, Celso Braga Cabral Filho, 44, é enterrado no cemitério do Muruí, em Niterói, no Rio

DESABAMENTO

Os três prédios localizados ao lado do Theatro Municipal desabaram por volta das 20h30. Os edifícios tinham 18 (Liberdade), 10 (Colombo) e 4 andares. O teatro não foi atingido, mas seu anexo, onde funciona a bilheteria, sofreu danos por causa dos escombros.

Devido ao trabalhos no local do desabamento, a avenida 13 de Maio --onde ocorreram os desabamentos-- permanece interditada. A avenida Almirante Barroso também foi bloqueada entre a rua Senador Dantas e a avenida Rio Branco. Já Senador Dantas funciona com mão invertida entre a Almirante Barroso e a rua Evaristo da Veiga.

Antes e depois

Editoria de Arte/Folhapress
 

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