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Esquema de desvio de remédios em SP era comandado da prisão
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DE SÃO PAULO
Atualizado às 19h32.
O líder da quadrilha presa nesta quinta-feira suspeita de desviar remédios de hospitais públicos comandava o esquema do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, de acordo com o Ministério Público.
A operação conjunta da Promotoria com a Polícia Civil de São Paulo prendeu 11 suspeitos de integrar a quadrilha, que desviava remédios caros para tratamento contra o câncer. O líder do grupo, Stefano Mantovani Fernandes, já havia sido condenado por receptação de remédios da rede pública, estava preso desde 2009, mas teve outro mandado de prisão decretado por novas suspeitas.
Ele é suspeito de fazer ligações de dentro da cadeia para coordenar o esquema: pelo celular, falava com a mulher Debora Aretusa Fulep da Luz e com o cunhado Rodrigo Eduardo de Paula, ambos presos durante a operação. Segundo a polícia, Fernandes será transferido para o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), que restringe as ações do detento.
De acordo com a Promotoria, a quadrilha furtava medicamentos de alto custo da rede estadual de saúde, com a ajuda de funcionários públicos, e os revendia para farmácias e distribuidoras. O desvio era feito da seguinte forma: um paciente recebia alta ou morria, e o remédio que ele tomaria não voltava para o estoque do hospital e era desviado.
Segundo a investigação, os medicamentos eram revendidos por R$ 7.000 a R$ 7.500 para distribuidoras e farmácias. O prejuízo aos cofres públicos foi de pelo menos R$ 10 milhões.
Rogério Penedo Ferreira da Silva, proprietário de distribuidoras na Baixada Santista, é apontado com um dos receptadores dos produtos, assim como Casimiro Bilevicius Junior, dono de distribuidora, Luiz Leite do Nascimento, dono de farmácia, e Edson André dos Santos, proprietário de distribuidora e farmácia em São Paulo.
Marcos Roberto da Silva Siqueira foi preso no Rio, onde tem uma distribuidora de medicamentos.
Além das prisões, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Hospital de Transplantes do Estado (antigo Brigadeiro), Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer e hospital Samaritano.
Na casa e empresas dos acusados, foram apreendidos mais de mil caixas dos remédios Mabthera, Zoladex, Cancidas, Invanz, Abelcet, Humira, Genzar, Eprex, Enbrel, Luvox, Telebrix, Imunoglobina, Nexavar, Ambisome, Actilyse e Clexane. Segundo a Promotoria, os remédios não eram armazenados corretamente pois tinham que ser refrigerados.
O trabalho da força-tarefa também apreendeu nove carros, uma motocicleta e um revólver, além de R$ 34 mil que seriam utilizados no pagamento de uma encomenda de remédios.
VÍDEO
Eliane Assunção de Siqueira, servidora federal cedida ao Brigadeiro, é suspeita de ser uma das fornecedoras de medicamentos com a ajuda de seu marido, Ronaldo Ramos de Siqueira. Em vídeo divulgado pela TV Globo, ela aparece tentando esconder caixas de remédios no hospital.
Rogério Penedo é apontado como o homem que desviava medicamentos do Instituto Brasileiro Contra o Câncer, e Fernando Rocha da Silva é suspeito de desviar remédios do Samaritano, onde trabalha como auxiliar de farmácia.
Além dos presos, mais oito pessoas são investigadas. Cada funcionário que fazia o desvio de remédio recebia R$ 1.000 de pagamento, segundo a Promotoria.
A operação "Medula 3" foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate) e pela Corregedoria Geral da Administração, ligada à Casa Civil do governo do Estado.
A reportagem tentou falar com os advogados de todos os presos, mas ninguém retornou as ligações até as 19h30.
SAIBA MAIS
A operação de hoje foi a terceira leva de prisões contra acusados de desviar remédios de hospitais públicos.
Em maio de 2010, seis pessoas foram presas suspeitas de participar de roubos a um posto de distribuição de remédios da rede pública na zona sul de São Paulo. O prejuízo chegou a R$ 8 milhões.
O alvo dos roubos foi o remédio Mabthera, uma droga de alta tecnologia contra o câncer do sistema linfático. Cada caixa custa cerca de R$ 8.000, mas em razão de descontos obrigatórios definidos por lei, a Secretaria da Saúde paga perto de R$ 6.000 e o entrega gratuitamente aos pacientes cadastrados.
Em setembro de 2009, nove pessoas foram presas na primeira investida contra o desvio de remédios. Na ocasião, a polícia informou que o prejuízo chegava a R$ 40 milhões.
A quadrilha usava 13 distribuidoras para vender os remédios para hospitais e clínicas de 20 Estados e o Distrito Federal --entre eles o Fleury Hospital-Dia, em Higienópolis (região central de SP).
Meses depois das primeiras prisões, remédios desviados foram apreendidos em Maringá (PR) e mais quatro suspeitos foram presos em cidades do interior de São Paulo acusados de roubar caminhões com medicamentos.
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