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06/02/2012 - 08h30

PM invade cerco da Força Nacional e junta-se a grevistas na BA

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FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR
GRACILIANO ROCHA
DE SALVADOR

Um policial militar furou o cerco montado por homens do Exército e da Força Nacional ao redor da Assembleia Legislativa da Bahia por volta das 6h50 desta segunda-feira, e juntou-se aos grupo de PMs em greve que estão acampados no prédio desde a semana passada.

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Após furar o cerco, o policial foi perseguido por um policial da Força Nacional, que desistiu após um grupo de grevistas correr em direção ao colega, que foi recebido com saudações e gritos.

Ao ver o filho ser perseguido, Arlete Meireles de Araújo, 51, entrou em desespero. Ela tentou invadir o cordão de isolamento e começou a gritar. "Não queremos uma nova Canudos, queremos nossos filhos vivos".

Arlete disse também que o filho é policial militar e que todos os grevistas estão em missão de paz e defendendo seus direitos. "Não são baderneiros, são pais de família".

Fábio Guibu/Folhapress
Famílias de PMs em greve se concentram diante da Assembleia; Exército e Força Nacional estão no local
Famílias de PMs em greve se concentram diante da Assembleia; Exército e Força Nacional estão no local

Outra mulher chegou a se ajoelhar diante do cordão de isolamento. Segurando uma criança no colo e uma bíblia na mão, a mulher implorava para entrar na Assembleia porque o marido é um dos grevistas. Como não foi permitida a entrada, ela cobrou aos gritos a presença do governador: "Cadê o o Jacques Wagner que não está aqui?".

Familiares e policiais em greve com crianças estão do lado de fora do cordão de isolamento gritando e discutindo com os militares. Grevistas disseram que estão chamando policiais militares do interior para engrossar o número de grevistas.

Fábio Guibu/Folhapress
Exército participa de cerco a Assembleia Legislativa da Bahia; PMs em greve permanecem no local
Exército participa de cerco a Assembleia Legislativa da Bahia; PMs em greve permanecem no local

CERCO

O cerco à Assembleia começou no fim da madrugada e, segundo o Exército, tem o objetivo de isolar os manifestantes para depois executar mandados de prisão e esvaziar o prédio. A luz do local foi cortada na noite de ontem, que, de acordo com os grevistas, tem mulheres e crianças de PMs acampados.

Os jornalistas são mantidos a 100 m de distância do local. No entanto, a reportagem da Folha viu urutus (veículo blindado de cerca de 15 toneladas, armado com metralhadora) se movimentando nas proximidades e a chegada de um urutu. O clima é de extrema tensão.

No início do cerco, os grevistas se reuniram no pátio da Assembleia, acompanhando a ação e passando instruções aos manifestantes utilizando um carro de som. Os manifestantes cantavam o hino nacional e acenavam com as mãos para os policiais, gritando: "Vem! Vem! Vem!".

Fábio Guibu/Folhapress
Homens do Exército fazem cerco a Assembleia Legislativa da Bahia, local onde estão policiais militares em greve
Homens do Exército fazem cerco a Assembleia Legislativa da Bahia, local onde estão policiais militares em greve

O assessor do soldado Marco Prisco Caldas Nascimento, líder dos grevistas, Valdeck Filho, disse à reportagem que os militares se encontram a 50 m da assembleia e que a estratégia dos manifestantes é resistir até o fim. Nervoso, declarou "Vai acontecer uma chacina aqui, e o responsável é Jaques Wagner".

Ontem, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), deu um ultimato para que os policiais militares desocupem a Casa até a meia-noite. "Quero a Casa que eu presido de volta. Não posso permitir que o Poder Legislativo seja esconderijo de foragidos", disse.

PRISÃO

Ontem (5), foi preso um dos 12 policiais militares grevistas que tiveram a prisão decretada na semana passada. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o PM é acusado de formação de quadrilha e roubo de um carro da corporação.

Ele é lotado na Coppa (Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental) e foi preso pelo comandante da companhia. Além de responder pelos crimes, o policial vai passar por um processo administrativo na própria corporação.

 

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