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09/02/2012 - 10h52

USP quer que governos reurbanizem favelas vizinhas a seu campus

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FÁBIO TAKAHASHI
JULIANNA GRANJEIA
DE SÃO PAULO

A reitoria da USP pediu ao Estado e à prefeitura a reurbanização de favelas no entorno da Cidade Universitária, na zona oeste da capital. Além disso, afirma que vai dar apoio técnico à iniciativa.

Segundo a universidade, a solicitação foi feita porque o reitor, João Grandino Rodas, avaliou que a instituição teria de dar atenção às mais de 3.000 famílias nas favelas São Remo e Carmine Lourenço, vizinhas ao campus.

Por outro lado, setores da escola e parte dos moradores veem o risco de retirada de pessoas, num processo que eles chamam de "higienização" da área. Neste sábado haverá reunião da comunidade para discutir o tema.

Um protocolo de cooperação para a realização da reurbanização foi assinado em dezembro pela USP, governo estadual e pela prefeitura.

A ideia é que até o mês que vem já esteja pronto o levantamento parcial patrimonial e o potencial de ocupação.

Não está previsto o uso de recursos da USP para construção de moradias ou na infraestrutura. A escola deve ajudar, por exemplo, no desenho arquitetônico das casas e em atividades educacionais, esportivas e culturais na área.

AUXÍLIO

Segundo o chefe de gabinete da reitoria, Alberto Carlos Amadio, a ideia de atuar na reurbanização surgiu após pedidos pontuais dos moradores à USP, como projeto arquitetônico para um centro de convivência já instalado.

A iniciativa ganhou força com a discussão sobre a necessidade de segurança no campus, após a morte do estudante estudante Felipe Ramos de Paiva na instituição, em maio do ano passado.

Um comerciante que trabalhava na favela São Remo se apresentou à policia dizendo ter participado do crime.

"A própria comunidade se incomoda que ela seja ponto de passagem para certas pessoas. A reurbanização pode ajudar nisso", disse Amadio.

Coordenador da associação de moradores da São Remo, Givanildo Santos diz estar preocupado com o projeto anunciado pela USP.

"Não sabemos nada do processo. Será que eles não querem tirar as pessoas de um terreno valorizado, ao lado da principal universidade da América Latina?", disse.

A USP afirma que já teve reuniões com os moradores e que não há a intenção de retirar moradores. Diz ainda que as dúvidas ainda não podem ser respondidas porque o projeto não está pronto.

Integra também o projeto de reurbanização uma área da escola invadida no Sacomã (zona sul da capital).

 

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