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Deputada que falava com bombeiro diz que queria anistiar grevista
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ITALO NOGUEIRA
DO RIO
A deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) --a mulher que conversava com o cabo Benevenuto Daciolo em gravação divulgada ontem (8) pelo "Jornal Nacional"-- afirmou que pretendia garantir a anistia dos líderes grevistas na Bahia.
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No diálogo divulgado, ela afirma estar "errado fechar a negociação [na Bahia] agora antes da greve do Rio".
Segundo Rocha disse à Folha, ela diz que uma greve no Rio mudaria a "correlação de forças" e obrigaria os governos a anistiarem os militares que iniciaram a paralisação.
"Disse a ele que, se o objetivo é garantir os dirigentes, o que está certo, não é a melhor coisa negociar nesse momento. A correlação de força não está favorável. Se houver greve no Rio e em outros Estados, a correlação de forças muda e fica mais fácil garantir a liberdade dos dirigentes", disse ela, na manhã desta quinta-feira.
| Christophe Simon/France Presse | ||
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A deputada afirmou ser favorável ao direito de greve dos policiais e bombeiros militares. Ela disse, porém, que ainda não há organização nacional da categoria.
"Se num ensaio de mobilização que agora aconteceu, houve uma crise institucional, imagine se houvesse organização", disse ela.
Rocha criticou o fato de, por ser parlamentar, ter conversa telefônica gravada. "Vamos querer uma explicação".
Daciolo foi preso administrativamente na noite de ontem ao desembarcar no Rio, acusado de incitar o movimento. Depois foi transferido para o presídio de Bangu 1. A mulher dele afirma que ele estava na Bahia a pedido da Justiça Militar para ajudar a negociar fim da greve.
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Folha - Qual era o objetivo desse contato?
Janira Rocha - O Daciolo me procurou antes de viajar para a Bahia. Ele disse: "Deputada, recebi um convite do juiz da Auditoria Militar Barroso Filho para ir à Bahia tentar ajudar na intermediação do processo de negociação". Perguntou o que achava. Disse a ele que achava legal, que tinha que ir tentar ajudar no processo. De lá ele me ligou e disse: "O processo de negociação está difícil. Eles não conseguem chegar num acordo. O que foi mais divulgado foi uma proposta que dariam uma parcela da gratificação pedida pelos policiais em novembro e o restante até 2015. Mas não avançaram nenhum milímetro em relação a não criminalização e não prisão dos dirigentes [sindicais]. Achamos que essa proposta é ruim. O que a sra. acha?". Esse trecho eles tiraram da gravação [divulgada]. Disse a ele que, se o objetivo é garantir os dirigentes, o que está certo, não é a melhor coisa negociar nesse momento. A correlação de força não está favorável. Se houver greve no Rio e em outros Estados, a correlação de forças muda e fica mais fácil garantir a liberdade dos dirigentes. Então, disse a ele, que ele ajudava mais vindo para o Rio, organizando a base no Rio, do que na Bahia.
Quando a sra. fala, na gravação, que não é vantagem negociar lá, antes de deflargar a greve aqui, a sra. se referia em relação a não criminalização dos dirigentes?
Sim, porque o governo [baiano] em nenhum dos cenários de negociação anistiava os líderes. Se o objetivo é esse, tem que estabelecer uma nova correlação de forças. Em outros momentos eu conversei com eles também. Estou deputada, mas sou dirigente do movimento sindical. Eu venho do movimento sindical, essa é a minha base social. Então represento aqui dentro o interesse dessas categorias.
Mas essa era uma negociação em outro Estado. Não há contradição em interferir na negociação em outro Estado que não o Rio?
São negociações de trabalhadores. Existe uma articulação nacional desses trabalhadores, eu conheço e já lutei com essas pessoas antes. Milito há 32 anos no movimento social. Não vejo contradição nenhuma. O trabalhador da Bahia é o mesmo do Rio e de outros Estados.
Há uma articulação nacional de policiais e bombeiros?
Na verdade não existe essa articulação. Há pessoas que se falam. Mas não existe uma entidade nacional que represente todo mundo. Há pessoas que conversam.
A sra. acredita que, no plano nacional, eles ainda são desorganizados?
Se fosse organizado, com a força que a segurança pública tem, a PEC 300 já estava aprovada. Se num ensaio de mobilização que agora aconteceu, houve uma crise institucional, imagine se houvesse organização.
A sra. é a favor do direito de greve de militares?
Sou, porque o militar come, veste, pega ônibus. E o militar é tratado pelos governos como qualquer outro trabalhador quando define política salarial. Como disse o ex-presidente da República, se o trabalhador é essencial, o salário dele tem que fazer essa consideração. Se essa consideração não existe, eles precisam se mobilizar. Senão são transformados em escravos.
E a questão da hierarquia e disciplina, que os oficiais alegam?
Tem que existir disciplina e hierarquia. O que não pode existir é assédio moral em nome de hierarquia e disciplina. Um policial não poder reclamar que está ganhando mal, porque se fizer vai para a cadeia e a família dele continua passando fome. Sou a favor que os direitos que a Constituição dá a todos os trabalhadores sejam estendidos aos trabalhadores militares também. Desmilitarização, direito de greve, direito de livre expressão.
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