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11/02/2012 - 20h28

Sindicato da Polícia Civil abandona greve no RJ, que perde força

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DO RIO

O Sindpol, um dos sindicatos da Polícia Civil do Rio, anunciou no início da noite deste sábado que suspendeu sua participação na greve das polícias e dos bombeiros, convocada na noite de quinta-feira (9).

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Francisco Chao, diretor do Sindpol, alegou que bombeiros estariam atuando fora do combinado, ao abandonarem postos de guarda-vidas na orla, deixando desguarnecida a população. Ele disse que convocou uma assembleia para a próxima quarta-feira, para que a categoria confirme a decisão de parar o movimento.

"É muito difícil falar em movimento revindicatório sem adesão. Segurança para a sociedade está em primeiro lugar. Por cautela e respeito, a melhor decisão é suspender. Quem encerra movimento grevista é a categoria. É em homenagem a minha categoria que nós estamos suspendendo momentaneamente a greve", disse Chao.

Representantes e familiares dos bombeiros, no entanto, confirmaram um ato público amanhã de manhã em Copacabana e uma assembleia em seguida.

Daniel Marenco-10.fev.12/Folhapress
Placas de aviso usadas pelos guarda-vidas, largadas no posto 11 da praia do Leblon, no Rio
Placas de aviso usadas pelos guarda-vidas, largadas no posto 11 da praia do Leblon, no Rio; greve continua hoje

"O Corpo de Bombeiros e a PM querem dignidade para atender melhor a população", disse o sargento dos bombeiros Paulo Edson de Campos, que afirma ter sido intimado a se apresentar ao seu batalhão por liderar a greve.

Mulheres dos militares presos reclamaram das prisões. "Foi uma prisão sem cabimento. Eles continuam realizando os salvamentos, estão apenas atrás de dignidade. Na segunda-feira, minha filha faz seis anos. O que eu vou dizer pra ela, que o pai está preso?", disse Ursula Madeira Ayres, mulher do sargento Harrua Leal Ayres, que está preso.

PRESSÃO

Hoje, o governo do Estado aumentou a pressão sobre os grevistas. O comando do Corpo de Bombeiros anunciou que foi decretada a prisão de 11 líderes do movimento, sob as acusações de motim e incitação a ato ilegal.

Dos 11, 8 haviam sido presos até o início da noite e levados para o presídio de Bangu 1 (zona oeste), onde também está o cabo dos bombeiros Benevenuto Daciolo, detido na quarta-feira, quando voltava de Salvador.

Daciolo foi flagrado em escutas autorizadas pela Justiça falando sobre uma possível greve geral e que por isso não haveria Carnaval no Rio e na Bahia.

Além disso, 162 bombeiros foram postos em prisão administrativa e responderão a processos disciplinares --incluindo 123 indiciados na sexta-feira e 39 guardas-vidas que faltaram hoje ao serviço no Grupamento Marítimo (GMar) da Barra da Tijuca (zona oeste).

Ontem, a Polícia Militar já havia anunciado a prisão de 17 PMs líderes da greve na corporação --11 com mandados expedidos pela Justiça e 6 detidos em flagrante. Outros 129 PMs do Batalhão de Volta Redonda (sul fluminense) foram indiciados em inquérito policial militar.

A paralisação foi decidida na noite de quinta-feira, quando as três corporações rejeitaram o reajuste aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado.

Com o aumento, o salário base de um soldado da PM e dos Bombeiros passou de R$ 1.277 para R$ 1.699. As categorias reivindicam piso de R$ 3.500.

 

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