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Advogada de Lindemberg diz que juíza 'deve voltar a estudar'
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ANDRÉ MONTEIRO
TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO
A advogada Ana Lúcia Assad, que defende Lindemberg Alves --acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel--, disse nesta terça-feira, durante o julgamento, que a juíza Milena Dias deveria voltar a estudar. O júri ocorre no fórum de Santo André (Grande SP).
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A fala aconteceu durante o depoimento da perita Dairse Lopes, que falou sobre um laudo sobre a arma apreendida com Lindemberg.
Assad quis fazer mais uma pergunta à testemunha, o que foi inicialmente negado pela juíza, já que a defesa já havia tido seu momento para perguntar.
"Pelo principio da verdade real, quero inquirir a testemunha novamente", disse a advogada. A juíza respondeu, com ironia: "Esse princípio não existe, ou pelo menos não o conheço com esse nome". Assad, então, respondeu: "Então eu acho que a senhora deve voltar a estudar."
A resposta gerou comentários na plateia, e a promotora Daniela Hashimoto interveio. Disse que, como promotora, ela não poderia tolerar qualquer desacato a autoridade e que a advogada deveria tomar cuidado, pois poderia ser responsabilizada por isso.
A advogada respondeu que desde o primeiro dia estava havendo cerceamento da defesa.
JORNALISTAS
Antes disso, os jornalistas Márcio Campos e Rodrigo Hidalgo, da TV Bandeirantes, falaram sobre a cobertura jornalística do caso e sobre como era a rotina para a busca por informações. Eles foram convocados como testemunhas pela defesa.
A advogada Ana Lúcia Assad questionou os jornalistas sobre o contato da imprensa com Lindemberg. Ambos disseram que não falaram com o réu durante o cárcere.
Questionado pela advogada, Rodrigo Hidalgo afirmou que soube de colegas que falaram com Lindemberg. Assad perguntou então se ele percebeu que Lindemberg ficou mais nervoso após o contato com jornalistas. Hidalgo repondeu que não sabe, pois ficou sabendo do contato entre o réu e a imprensa depois.
A advogada também perguntou se os dois achavam que a cobertura da imprensa contribuiu para o desfecho do caso. A pergunta foi indeferida pela juíza e as testemunhas não responderam.
Os jornalistas também foram questionados se viram Eloá aparecer na janela sorrindo. Os dois disseram que não e disseram que, pelo que se recordavam, ela estava sempre com semblante nervoso.
Outra pergunta da defesa foi se os jornalistas viram a amiga de Eloá, Nayara Rodrigues da Silva, também mantida em cárcere por Lindemberg, usando óculos escuros. O jornalista Márcio Campos disse que sim. As perguntas fazem parte da estratégia da defesa de tentar mostrar que o clima dentro do apartamento onde as jovens eram mantidas presas era mais ameno.
A promotora Daniela Hashimoto também perguntou aos jornalistas se Lindemberg Alves falou com a imprensa antes de dar os primeiros disparos, ainda no início do cárcere. Os jornalistas responderam que não. O objetivo da pergunta era tentar mostrar que o réu já estava violento antes da imprensa dar mais atenção ao caso.
Este é o segundo dia de julgamento de Lindemberg Alves, 25. Já foram ouvidos a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, o irmão mais velho de Eloá, Ronickson Pimentel, o irmão mais novo de Eloá, Everton Douglas Pimentel, 17, o ex-advogado da família de Lindemberg, Marcos Cabello, a amiga de Eloá, Nayara Rodrigues, 18, os amigos Vitor Lopes e Iago de Oliveira (os três estavam no apartamento quando Lindemberg chegou) e o sargento da PM Atos Valeriano, o primeiro a negociar com o réu.
| André Monteiro/Folhapress | ||
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| Plenário onde ocorre o julgamento de Lindemberg Alves Fernandes em Santo André, na Grande São Paulo |
RELEMBRE O CASO
Eloá Pimentel, 15, foi rendida pelo ex-namorado no dia 13 de outubro de 2008 e mantida em cárcere privado por mais de cem horas dentro do apartamento em que morava em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André.
Na ocasião, a adolescente estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.
O desfecho do caso ocorreu na noite do dia 17 de outubro quando a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel. A acusação diz que o rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.
Durante as negociações, Lindemberg também teria atirado contra o sargento da PM Atos Valeriano. Ele foi o primeiro PM a chegar ao local e negociou a rendição de Lindemberg por cerca de 22 horas, até que o Gate assumisse.
Lindemberg responde por 12 crimes. Entre eles estão homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara e contra o sargento Atos Valeriano), cárcere privado (contra Eloá, contra os dois amigos e duas vezes contra Nayara, por ter retornado ao cativeiro) e por disparos de arma de fogo.
Lindemberg e Eloá namoraram por três anos e estavam separados havia um mês quando ocorreu o crime.
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