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21/02/2012 - 18h51

Homem que pegou notas e mais 4 são presos após tumulto no Anhembi

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GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO
RAPHAEL SASSAKI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Atualizado às 20h26.

Ao menos cinco pessoas foram presas na tarde desta terça-feira após a confusão que interrompeu a apuração do Carnaval de São Paulo. Segundo a polícia, um deles é o responsável por invadir a área da apuração, agredir o locutor e roubar as últimas notas.

Veja imagens da confusão no sambódromo
Veja como estava a apuração até a interrupção
Mocidade comemora vitória antecipadamente
Escola por ser eliminada por confusão
Carro alegórico é incendiado após confusão
Confusão interrompe apuração do Carnaval de SP

Editoria de Arte/Folhapress

De acordo com o delegado da Deatur (delegacia do turista), Oswaldo Nico Gonçalves, foram presos Tiago Ciro Tadeu Faria, 29, da Império de Casa Verde, e Cauê Santos Ferreira, 20, da Gaviões da Fiel. Outras três pessoas foram presas, mas não tiveram os nomes divulgados.

Faria e Ferreira serão indiciados sob suspeita de dano ao patrimônio público e supressão de documentos, já que cédulas de votação dos jurados desapareceram. Os crimes podem resultar em cinco (dano) e três (supressão) anos de prisão. Eles prestaram depoimento na delegacia e serão transferidos para a carceragem do 2º DP (Bom Retiro).

O delegado afirma que Faria é o homem que invadiu a área onde as notas eram lidas, agrediu o locutor com um chute, pegou e rasgou as notas. A polícia diz que ele é membro da diretoria da Império, mas o vice-presidente da escola, Paulo Ferreira, nega. "Ele nem estava na mesa com a gente", disse. Imagens feitas antes da confusão mostram Faria sentado em uma mesa.

A Império estava em 11º lugar até a interrupção, e não seria rebaixada para o Grupo de Acesso, a segunda divisão do Carnaval.

Segundo a polícia, os dois presos disseram em depoimento que houve um "acordo de cavalheiros" para que nenhuma escola caísse para o Grupo de Acesso. "Houve um conluio das diretorias de todas as escolas, com o intuito de melar a apuração. Tinham feito um acordo de que nenhuma escola seria rebaixada. Pelo acordo, isso seria anunciado, mas como chegou na última nota e ninguém falou nada, resolveram agir", disse o delegado Luís Fernando Saab, da Deatur. Os dirigentes não comentaram os depoimentos.

O advogado de Faria, Eduardo Moraes, foi à delegacia mas não quis dar entrevista. O advogado de Cauê Santos Ferreira não foi localizado.

Paulo Ferreira disse que é contra a apuração do Carnaval em local aberto, e que, para ele, as notas deveriam ser divulgadas em teatro fechado, com a presença da imprensa e da diretoria das escolas.

"Isso aqui [apuração aberta] tem que acabar. Tem três torcidas de futebol envolvidas, isso não dá certo", disse, em referência à Gaviões (Corinthians), Mancha (Palmeiras) e Dragões (São Paulo).

Reprodução/TV Globo
Homem invade área onde notas eram lidas, pega e rasga documentos; veja mais fotos
Homem invade área onde notas eram lidas, pega e rasga documentos; veja mais fotos da confusão

CONFUSÃO

Uma confusão interrompeu a leitura das últimas notas das escolas de samba do Carnaval de São Paulo, no Anhembi (zona norte), na tarde desta terça-feira. Tudo começou quando um integrante de escola de samba invadiu a área onde as notas eram lidas, agrediu o locutor com um chute, pegou e rasgou os documentos com as notas. A confusão se espalhou, e a apuração terminou em vandalismo.

Presidentes das escolas estão reunidos e ainda não se sabe como ficará o resultado final do Carnaval. "Tem escola que não sabe perder. O jogo é jogado. A escola vem na avenida, canta o samba errado e depois quer tirar o julgador de samba-enredo. Vamos ver se tem possibilidade de levantar as duas notas que faltam. Se não tiver, vai se manter o resultado que se mantém até agora", disse Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Liga e da Vila Maria.

Após o tumulto dentro do Anhembi, onde ocorria a apuração, torcedores invadiram parte da pista da marginal Tietê. Um carro alegórico foi queimado na dispersão do sambódromo, onde estavam as alegorias usadas nos desfiles.

Policiais militares que estavam no local tentaram proteger os locutores e jurados, mas a confusão era generalizada. Integrantes de outras escolas também invadiram a área.

Depois, torcedores da Gaviões da Fiel invadiram a marginal Tietê, chutaram placas da cerca de proteção do pátio enquanto seguiam em direção à quadra da escola.

Enquanto isso, alegorias que estavam no estacionamento ao lado do sambódromo foram queimadas.

Marcos Bezerra/Futura Press
Carro alegórico é destruído por incêndio após tumulto no sambódromo de SP; veja mais
Carro alegórico é destruído por incêndio após tumulto no sambódromo de SP; veja mais

TROCA

A apuração já havia começado com clima tenso, após um atraso de mais de 20 minutos. Representantes de cada escola foram convocados para uma reunião à portas fechadas, que tratou de uma troca de jurados.

Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba, jurados dos quesitos samba-enredo e mestre-sala e porta-bandeira foram substituídos por suplentes na quinta-feira (16), um dia antes do início dos desfiles do Grupo Especial. Um dos jurados disse que não podia participar porque seria jurado no Rio, e o outro alegou motivos "emocionais". Segundo a Liga, a troca foi informada por e-mail.

O presidente da Vai-Vai, Darly Silva, o Neguitão, reclamou da troca dos jurados e disse que isso deixou as escolas indignadas. "Nós não vamos aceitar isso. Estão roubando escolas, beneficiando essa daí [Mocidade], que só tira 10", disse.

No momento da interrupção, a Mocidade Alegre liderava a apuração e era a única com notas 10 em todos os quesitos avaliados. Faltavam ser lidas as duas últimas notas do último quesito.

Instantes antes da confusão, Neguitão começou a protestar contra a apuração, e integrantes da Camisa Verde e Branco se juntaram a ele, rompendo a barreira de segurança da área onde eram lidas as notas. Integrantes da Vai-Vai ameaçaram agredir fotógrafos que faziam imagens de Neguitão.

O diretor-executivo da escola, Américo Calandriello Júnior, disse que Neguitão ficou revoltado, mas não incitou agressões. "Ele é uma pessoa muito tranquila, e comanda uma comunidade enorme em torno da escola. Ele jamais agrediria ninguém."

Josélia Alves, da diretoria da Camisa, gritou pouco depois da interrupção: "Acabou o Carnaval de São Paulo. Não vai haver mais apuração. Não admitimos que as escolas sejam roubadas."

 

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