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26/08/2012 - 07h00

Opinião: Autoafirmação social leva à busca por produtos culturais

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SAMY DANA
OCTAVIO AUGUSTO DE BARROS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Eventos culturais têm ganhado destaque no cotidiano do paulistano, e esse fenômeno é evidenciado pelo crescimento acentuado do setor.

Diversão de paulistano custa até 4 horas na fila

Ingressos esgotados para shows e espetáculos, filas enormes em exposições e cursos recém-criados de filosofia, arte e afins estão cada vez mais presentes na cidade.

Além da preocupação com o alcance de uma formação mais ampla, esse aumento pode ser justificado pelo favorecimento da imagem que a cultura representa.

A aprovação social passa a depender da demonstração clara de conhecimento, criando um receio comum de exclusão por falta de erudição, e abrindo espaço para que novos produtos, ainda que de critérios duvidosos, sejam oferecidos em larga escala.

A cultura vem se transformando, guardadas as devidas proporções, em um objeto de aumento da visibilidade frente à sociedade.

Nos principais polos culturais, como a região da avenida Paulista e o Baixo Augusta, é comum ver tribos que prezam pelo destaque a partir de visuais diferenciados, mas que na realidade carregam traços e atitudes muito semelhantes.

A preocupação é tão grande com a imagem "cult" a ser sinalizada que, muitas vezes, a ideologia é deixada em segundo plano.

Uma das possíveis causas de tal inversão é a dificuldade de avaliar a qualidade envolvida no produto cultural: altos preços ainda são confundidos com excelência.

Como exemplo, pode-se citar a proliferação de famosos cursos dispendiosos e acessíveis apenas a classes mais altas que são oferecidos --e muito bem atendidos-- com a sedutora proposta de ampliação da formação cultural, e que, na realidade, não possuem o aprofundamento que o objeto lecionado requer.

Analogamente, superproduções cinematográficas, shows e grandes espetáculos, por vezes considerados essenciais aos entusiastas e estudiosos, justificam-se mais pela pirotecnia do que pelo conteúdo transmitido.

A autoafirmação social tem levado à intensificação da busca por produtos culturais. Se por um lado isso fomenta o setor e favorece o acesso a mais eventos, por outro, sugere a revisão do conceito de valorização cultural como uma necessidade iminente.

Samy Dana é PhD em business, professor da FGV. Octavio Augusto de Barros é pesquisador, assistente do Núcleo de Cultura e Criatividade da FGV

 

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