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19/09/2012 - 09h38

Promotoria apura relação de incêndios em favelas com interesse imobiliário

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DA AGÊNCIA BRASIL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Estado de São Paulo investiga se há origem comum entre os incêndios em favelas paulistanas, por suspeita de que o fogo esteja sendo provocados por grupos interessados em tirar vantagem econômica dos terrenos.

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"É curioso notar que esses incêndios têm acontecido, de forma geral, em lugares onde há forte interesse do mercado imobiliário", afirmou o promotor da área de Habitação e Urbanismo José Carlos Freitas.

Ele aponta que, normalmente, são áreas nas quais se pretende construir empreendimentos não só habitacionais, mas também empreendimentos comerciais, especialmente, onde há obras públicas a serem implantadas. "A área criminal [do Ministério Público] está preocupada com a essa coincidência", disse.

A Câmara Municipal de São Paulo também investiga as causas e responsabilidades sobre os incidentes por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada em abril de 2011. A comissão já identificou que a apuração das causas dessas ocorrências é quase sempre inconclusiva.

Para Freitas, embora os incêndios sejam justificados por condições como falta de umidade e precariedade das moradias, a explicação não é lógica. "Outras favelas que têm a mesma estrutura de construção também estão sujeitas à falta de umidade, mas os incêndios não têm acontecido com essa frequência em regiões mais distantes", compara.

Uma das atribuições da Promotoria de Habitação e Urbanismo é acompanhar o destino dado às famílias que são desalojadas em decorrência dos incêndios. "Ao longo dessas investigações, quando detectamos alguma prática criminosa, nós encaminhamos para a Promotoria Criminal para que ela apure as causas e se há alguma atividade orquestrada para incêndios dessa natureza", afirmou.

INCÊNDIOS

Na segunda-feira (17) um incêndio na favela do Moinho, região da Santa Cecília (centro de São Paulo) matou uma pessoa e deixou cerca de 300 pessoas desabrigadas. Um morador usuário de drogas foi preso suspeito de colocar fogo no barraco onde morava após discutir com o companheiro, que morreu carbonizado.

Na semana passada, a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, também foi atingida por um incêndio e deixou uma pessoa intoxicada. Ao todo, cinco barracos foram atingidos pelas chamas.

No dia 8, uma outra favela foi atingida por um incêndio na região do bairro de Cumbica, em Guarulhos (na Grande São Paulo). O incêndio teve início por volta das 7h, na avenida Santos Dumont. Nove carros dos bombeiros foram deslocados para o local. Ninguém ficou ferido.

Na última dia 3, um outro incêndio destruiu parte de uma favela na região de Campo Belo, na zona sul de São Paulo. 285 barracos foram atingidos e três pessoas ficaram feridas.

Apenas na capital paulista, houve mais de 30 incêndios em favelas desde o início deste ano. Em 2011, foram 79 ocorrências --número mais baixo registrado desde 2008, quando 130 favelas pegaram fogo.

 

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