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06/12/2012 - 11h25

Polícia prende 10 suspeitos de integrar milícia no Rio de Janeiro

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MARIO HUGO MONKEN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, NO RIO

Dez pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira no Rio de Janeiro suspeitos de integrarem uma célula de uma das principais milícias da cidade, a Liga da Justiça. Ao todo, 13 pessoas foram denunciadas pelos crimes de agiotagem e extorsão. Um dos líderes do grupo é um pastor evangélico, que ainda está foragido.

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De acordo com as investigações, o bando atuava em cinco bairros da zona oeste e cometia uma série de crimes como agiotagem, extorsões, ameaças, comércio ilegal de combustíveis, além da exploração de transporte alternativo, de máquinas caça-níqueis e cobrança irregular de "taxa de segurança".

A milícia Liga da Justiça era comandada por ex-políticos, como os irmãos Jerônimo Guimarães, o Jerominho, e Natalino Guimarães, e o ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, todos presos.

Segundo a polícia, o pastor Dijanio Aires Diniz, conhecido pelo apelido de Pastor, utilizava as dependências da Igreja Pentecostal Deus é a Luz, em Campo Grande, como escritório de empréstimos e cobranças. Ele é suspeito de comandar uma rede de agiotagem ao lado do ex-PM Carlos Henrique Garcia Ramos, conhecido como Henrique, que também está foragido.

A agiotagem era uma das atividades mais rentáveis deste ramo da quadrilha, que chegava a cobrar 30% de juros ao mês das vítimas, com ameaças violentas a quem atrasasse o pagamento.

A violência imposta pela quadrilha pôde ser constatada em episódio envolvendo o pastor Dijanio, como relata a denúncia do Ministério Público Estadual. Em junho do ano passado, dentro da Igreja Deus é a Luz, o religioso teria ameaçado violentamente um homem que pegou R$ 50 mil emprestados.

A vítima foi ao templo informar que atrasaria o pagamento apenas daquele mês, pois passava por dificuldades financeiras. Na época do empréstimo, em dezembro de 2010, o homem, ainda de acordo com informações da Draco, entregou a Pastor 12 cheques no valor de R$ 5 mil a serem descontados mensalmente, além de ter se comprometido a pagar outros R$ 2,5 mil em dinheiro todo mês, a título de juros.

Em escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça, Pastor ameaça o homem: "Agora que você sabe de quem é o dinheiro, dá seu jeito. Henrique não perdoa", ameaçou, referindo-se ao ex-PM Carlos Henrique.

No organograma da quadrilha, que agia nos bairros de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Paciência e Santíssimo, o ex-policial militar José Luis Cordeiro Cavalcante da Silva, o Bolt, também integrava o núcleo de agiotagem, sendo subordinado a Pastor e também operava a negociação ilícita de armas de fogo.

De acordo com a denúncia, Elber Meireles Pessanha, o Elbinho, era o gestor do desenvolvimento da atividade de adulteração e venda ilegal de combustível para a milícia, utilizando-se das empresas de sua propriedade como fachada.

Já Cléber Oliveira da Silva, segundo a polícia, é o braço direito de Elber e responsável pela compra de lacres e cabos de aço utilizados no esquema de venda de combustível adulterado e também da confecção das notas fiscais falsas que legitimavam a fraude. Ele contava com a ajuda do primo Leandro José de Freitas da Silva, o Bomba, que também negociava armas e munições para o bando. Os outros denunciados são André Marcelo Botti de Andrade, o Botti, Aline Barbosa da Silva, Antônio Claudino Ribeiro Blanco, Rhuan Claudius Martins Blanco e José Ribamar Gomes Passos.

Além da formação de quadrilha para a prática de crimes hediondos, Bolt, Celio Junior, José Ribamar e Pastor foram denunciados pelo Gaeco pelo crime de agiotagem. Pastor também responderá por extorsão.

A Promotoria também requereu à 42ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio mandados de busca e apreensão nos endereços residenciais dos denunciados e também a quebra de sigilo bancário e bloqueio cautelar da conta corrente de Pastor e Cleber.

 

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