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28/01/2013 - 22h41

Homenagem a mortos em incêndio reúne milhares em Santa Maria

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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM SANTA MARIA

Atualizado em 29/01/2013 às 19h11.

Uma caminhada para homenagear as 231 vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (a 323 km de Porto Alegre), reuniu cerca de 35 mil pessoas na noite desta segunda-feira (28) na cidade gaúcha, segundo o capitão da Brigada Militar Jair Francisco de Oliveira.

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Divulgado por redes sociais, o ato simbólico reúne familiares e amigos das vítimas, além de moradores da cidade. Muitos vestem branco e carregam flores e balões da mesma cor --nas convocações para o ato, foi pedido que os participantes não levassem velas.

Parentes com fotos das vítimas elevavam a carga emocional na caminhada. Houve a presença de músicos com violinos e de religiosos. O hino do Rio Grande do Sul foi entoado pelos presentes, e houve salvas de palmas pela memória das vítimas.

A caminhada começou por volta das 22h30, após a concentração em frente à praça Saldanha Marinho. As pessoas saíram pela avenida Rio branco em direção ao CDM (Centro Desportivo Municipal), local onde foram reconhecidos os corpos.

Voluntários distribuem água no trajeto da caminhada. Familiares e amigos das vítimas carregam fotos durante o trajeto, guiada por policiais da Brigada Militar.

Orientadas por um homem com um alto-falante, pessoas aproveitaram o caminho para fazer orações. Um grupo carrega um quadro com a imagem de Jesus e Maria, acompanhado por dois jovens tocando violino.

A caminhada seguiu pela avenida Presidente Vargas ao som de "Amigos Para Sempre", quando passaram em frente à igreja de Nossa Senhora de Fátima. O Hino Nacional Brasileiro também foi cantado quando se aproximavam do local.

Ao chegar ao CDM, pessoas cantaram o hino do Estado novamente e entraram no local, ao som de violinistas tocando Ave-Maria. Pessoas se sentaram nas arquibancadas do ginásio onde ocorreu o velório, ergueram cartazes e estouraram balões brancos.

Duas jovens que participavam da homenagem, de 20 e 25 anos, passaram mal e foram encaminhadas de ambulância ao Hospital de Caridade e à unidade de Pronto-Atendimento da região.

Por volta da 0h30, a Brigada Militar pediu às cerca de 40 pessoas que ainda permaneciam no ginásio que se retirassem para que o local pudesse ser fechado.

INCÊNDIO

O incêndio aconteceu na madrugada de domingo (27) na boate Kiss, localizada no centro de Santa Maria (RS). O local é famoso por receber estudantes universitários. Ao todo, 231 pessoas morreram e outras 80 permanecem internadas em hospitais da cidade e de Porto Alegre.

O fogo teria começado na espuma de isolamento acústico da boate, após um integrante da banda Gurizada Fandangueira manipular um sinalizador. Faíscas atingiram o teto e iniciou as chamas. O guitarrista da banda afirmou que o extintor de incêndio não funcionou.

Sobreviventes relataram que, antes de perceberem o incêndio, os seguranças teriam impedido os jovens de saírem sem pagar.

Editoria de Arte/Folhapress

A grande maioria das vítimas do incêndio na festa, promovida por alunos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), morreu asfixiada. Muitas foram encontradas amontoadas nos banheiros, por onde tentaram fugir do fogo.

No local, havia apenas uma uma porta, que funcionava como a única passagem de entrada e saída da boate. Bombeiros e sobreviventes quebraram a fachada da casa noturna a marretadas para retirar as pessoas.

A boate Kiss, com capacidade para até 1.000 pessoas, recebeu entre 600 e 1.000 no dia do incêndio, de acordo com a polícia.

A cidade de Santa Maria abriga alunos de faculdades particulares e da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), muitos de outros Estados. Entre os mortos, estão 101 estudantes da UFSM.

Até a tarde de hoje, quatro pessoas haviam sido presas --dois donos da casa noturna e dois integrantes da banda. O delegado Sandro Meiner afirmou que "as prisões são para possibilitar as investigações dos fatos em todas as suas nuances."

A direção da boate Kiss divulgou um anota afirmando que a casa estava dentro da normalidade e creditou o incêndio a uma "fatalidade". (MELINA GUTERRES)

Editoria de Arte/Folhapress
Editoria de Arte/Folhapress
 

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