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Carnaval de rua cresce em São Paulo; veja blocos que saem neste ano
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MARIANA DESIDÉRIO
DE SÃO PAULO
Paulistano, é hora de botar o bloco na rua. E nada de sambódromo ou bailes em clubes fechados. No Carnaval de São Paulo, quem mais ganha adeptos é a folia aberta e gratuita no meio do asfalto (veja agenda e ruas interditadas abaixo).
Não há conta oficial, mas os organizadores desses blocos são unânimes: o público se multiplicou nos últimos anos.
No Vai Quem Quer, que sai há 33 anos em Pinheiros (zona oeste), foram cerca de 6.000 pessoas em cada um dos quatro dias do Carnaval de 2012. No início, não passavam de 30.
O Cordão do Jamelão, da Bela Vista (centro), também viu seu público crescer. O grupo começou em 2006, quando três amigos resolveram reproduzir aqui o que encontraram no Carnaval do Rio, onde quase 500 blocos tomam a cidade.
Na estreia, um sábado chuvoso pós Quarta-Feira de Cinzas, o Cordão tinha não mais que 50 pessoas. Hoje, são 500.
"É um clima bem familiar. As velhinhas da vizinhança descem do prédio e dizem que se lembram dos Carnavais de sua adolescência", afirma Marco Aurélio Teixeira, 37, um dos organizadores.
Por que o bloco? "Queríamos um Carnaval das antigas, no meio da rua, onde chega quem quer, sem ter que comprar abadá", afirma.
A economia é um dos motivos para o crescimento --enquanto no sambódromo o ingresso sai por no mínimo R$ 75, podendo chegar a R$ 800, a festa na rua é de graça.
Mas na escolha também conta aquela vontade de pular e cantar por aí como se não houvesse amanhã.
É o retorno do "Carnaval participação", afirma a professora da Unicamp Olga von Simson, autora do livro "Carnaval em Branco e Negro" (Imprensa Oficial), sobre a história da folia paulistana.
Ela argumenta que a festa na rua permite que todos se divirtam, enquanto no Anhembi a maioria fica de espectador.
Para quem se animou, os blocos já estão na rua. Entre hoje e o sábado pós-Carnaval eles saem por diversas regiões da cidade, principalmente no centro e na zona oeste.
Os motoristas devem ficar atentos. Muitas vias serão bloqueadas temporariamente. Os bairros com maior número de blocos são Bela Vista (centro) e Vila Madalena (zona oeste).
| Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress | ||
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NEM TUDO É FESTA
Se o crescimento dos blocos deixa o Carnaval mais animado, também é motivo de atritos com o poder público.
Isso porque grande parte dos grupos não está vinculada às duas associações oficiais. Essas entidades reúnem 22 blocos e têm um convênio com a SPTuris que garante verba e
infraestrutura.
Os grupos independentes, porém, reclamam que enfrentam muita burocracia e que falta apoio da administração.
Em 2012, o desfile do Cordão do Kolombolo, da Vila Madalena (zona oeste), chegou a ser parado pela polícia. O bloco do Baixo Augusta acabou confinado em um estacionamento, pois a CET não liberou trajeto proposto.
Por conta disso, neste ano 24 blocos independentes se organizaram no Manifesto Carnavalista. O objetivo é reivindicar apoio da prefeitura.
Representantes do grupo estiveram reunidos na semana passada com o secretário de Cultura, Juca Ferreira, e receberam a promessa de que a administração daria suporte a seus desfiles.
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