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06/03/2013 - 03h30

Caminhões ignoram restrição de horário na marginal Tietê, em SP

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ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO

Um ano depois da restrição imposta pela prefeitura à circulação de caminhões na marginal Tietê, empresas e caminhoneiros autônomos ainda desrespeitam a regra.

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Desde 5 de março de 2012, veículos pesados foram proibidos na marginal e em outras vias da cidade das 5h às 9h e das 17h às 22h.

Ontem, a Folha contou 236 caminhões das 8h às 9h, só em um sentido da via. Não foram contados exceções como veículos de coleta de lixo, alimentação e construção civil.

Parte desses caminhões flagrados pertencia a transportadoras --foram contadas 20 empresas diferentes.

"A empresa tem compromisso com o cliente de fazer a entrega. O empresário faz as contas e vê que compensa levar multa a ter um caminhão parado tanto tempo", diz Norival Silva, presidente do Sindicam (sindicato dos caminhoneiros autônomos).

O caminhão que burla a restrição leva multa de R$ 85,13. No caso de empresas, outra multa do mesmo valor é aplicada quando o condutor não é indicado.

"E quem paga a conta é a população, pois esse valor é repassado ao frete. O empresário não tem como fazer diferente", afirma Silva.

As multas a caminhões foram as que mais cresceram na cidade em 2012, segundo balanço da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Oficialmente, as empresas negam que estejam preferindo as multas a deixar de transitar na marginal Tietê. Para Manoel Souza Lima Jr., presidente do Setcesp (sindicato das transportadoras), o número de multas tem a ver com a dificuldade em sair da marginal no horário da restrição.

"Um caminhão que vem de Pernambuco e vai ao Rio Grande do Sul tem que ter uma mira danada para conseguir passar no horário certo. Ele acaba preso pelo trânsito", diz.

O empresário diz ainda que as restrições implantadas por cidades vizinhas deixaram ainda mais difícil o planejamento, pois os horários não são coincidentes.

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

ACOSTAMENTO

Para evitar multas, caminhoneiros recorrem a postos e paradas pelo caminho. "Pouco antes das 9h ou das 17h, o acostamento da via Dutra fica lotado. Quando dá o horário parece aquele estouro de boiada", diz o caminhoneiro Amauri Alquati, 46, há 20 anos nas estradas.

Ele diz que nunca foi assaltado, mas que ocorrências de roubo de veículo e de carga são comuns na região, principalmente à noite.

Especialistas também alertam para o risco de acidentes --no local há placas de aviso.

Outros profissionais, em especial os autônomos, revelam recorrer a artimanhas para burlar a fiscalização, como entortar a placa do caminhão.

 

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