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Ativista do Movimento Passe Livre diz que não negocia trajeto de manifestação

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O Movimento Passe Livre irá se reunir hoje de manhã com o secretário de segurança pública do Estado, Fernando Grella Vieira.

Ele disse que quer negociar com os manifestantes o trajeto que será feito no protesto de hoje, marcado para às 17h, no largo da Batata, zona oeste de São Paulo.

O grupo afirmou que está aberto para conversar com a finalidade de evitar repressão policial, mas que não irá negociar o itinerário, que isso é uma decisão política do movimento.

Em entrevista para a Folha, a militante Nina Cappello, 23, que é estudante de direito da USP, criticou a criminalização do movimento e foi categórica "a gente não sai das ruas enquanto não for revogado o aumento da tarifa dos ônibus e trens". O grupo promete outro protesto para esta terça-feira (18), ainda sem local e data definidos.

Veja os principais trechos da entrevista:

*

Folha - O secretário de segurança pública, Fernando Grella Vieira, convidou o movimento para conversar hoje às 10h. Vocês vão?
Nina Cappello- Eu não sei exatamente para o que é a reunião, mas a gente está disposto a conversar com eles para evitar a repressão policial, que foi muito violenta no último ato [de quinta-feira (13)], que teve pessoas presas mesmo antes da manifestação começar. Vamos questionar essa criminalização do movimento. O que nós deixamos claro é que a decisão do caminho da manifestação é uma decisão política nossa, nós não vamos decidir o trajeto do movimento com eles. Mas a gente entendeu que isso não seria um problema porque a polícia tem que garantir a segurança dos manifestantes não importa o trajeto que a gente escolha fazer. Quando a gente tiver o trajeto definido nós vamos informar para eles.

Como será o protesto de hoje programado para as 17h no largo da Batata, em Pinheiros?
Vai ser o maior protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. A gente continua na rua até o prefeito [Fernando Haddad] e o governador [Geraldo Alckmin] decidirem revogar o aumento do ônibus e dos trens caso contrário a gente vai continuar colocando as nossas forças nas ruas, ocupando ruas importantes e parando a cidade.

Mas grande parcela da sociedade crítica o ato, veem o movimento mais como de "baderneiros" que querem promover o vandalismo?
É a política que eles têm de criminalizar o movimento e que acontece com os movimentos sociais principalmente nas periferias. É o jeito que eles têm para calar a nossa voz. Estamos na rua lutando por um direito, isso não é baderna é simplesmente uma manifestação legítima na luta por transporte público. O movimento não apoia vandalismo, mas a gente entende que a violência é da policia e da tarifa. Retomando o que foram as manifestações fica bem claro que houve violência por parte dos manifestantes porque teve repressão por parte da polícia.

A manifestação de vocês é pelo aumento de 20 centavos na tarifa do transporte público ou também tem um outro viés?
A manifestação é essa, cada aumento de tarifa exclui mais gente do transporte público, e ao mesmo tempo exclui mais gente da cidade. Você não tem dinheiro para usar a cidade, para usar o hospital público, a manifestação é sim contra o aumento de 20 centavos. A gente não sai das ruas enquanto não for revogado esse aumento.

Mas você não acha que algumas pessoas que aderiram ao protesto tem outras reivindicações que não só se referem ao aumento das tarifas? E se há pessoas protestando contra outras coisas não tiraria o foco do movimento?
As manifestações têm crescido porque a nossa pauta é muito clara porque ela causa revolta nos paulistanos. Diariamente a gente sofre uma violência pela questão de pagar uma tarifa para usar algo que é um direito. Você ter que se espremer dentro do ônibus, levar de duas a três horas para ir do trabalho e voltar do trabalho. Essa revolta esta sendo expressada com essas manifestações. A gente está na rua para lutar por um outro modelo de transporte público e cada vez mais as pessoas estão vendo que cabe a elas decidir como vai ser organizada a cidade, mas a manifestação é sim contra o aumento da tarifa.

Além dos jovens e estudantes, o movimento ganhou adesão de outros grupos como o dos trabalhadores.
A pauta é única, o transporte é central para ter acesso a cidade. Conforme as manifestações crescem a repercussão é maior. Eu ando de ônibus e metrô todo dia. Eu escuto pessoas falando no ônibus que apoiam o movimento e que ficam felizes em saber que tem gente lutando por um outro modelo de cidade. A pressão popular pode revogar essas tarifas como aconteceu em outras cidades.

Imaginavam a repercussão nacional e internacional, com comunidades brasileiras fazendo manifestações em solidariedade a vocês?
O MPL se organiza nacionalmente então não foi uma surpresa. Outras cidades estão se articulando com a gente até no sentido de fazer manifestação no mesmo dia, algumas também estão passando por esse mesmo aumento. Já internacionalmente a gente esta bastante surpreso e feliz porque esse apoio é fundamental e traz uma pressão ainda maior no governo e na prefeitura de que eles não só devem parar de criminalizar e reprimir o movimento, como eles vão ter que atender a nossa reivindicação senão isso vai ganhar uma dimensão cada vez maior.

Vocês preveem um fim para isso?
Enquanto não revogar a gente não vai parar. Na terça-feira (18) nós vamos participar com a prefeitura do conselho da cidade, que existe desde o começo do ano que reúne alguns movimentos sociais, mas não tem poder de decisão. A gente vai nesse espaço para cobrar o prefeito [Fernando Haddad], caso não revogue o aumento vai ter manifestação na terça-feira (18) também. Isso está decidido.

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