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Análise: Se tiver alternativa, viciado é capaz de preterir a droga

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A pesquisa da Fiocruz sobre o consumo do crack contesta algumas premissas do atual PLC 37/2013, projeto de lei de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS) que altera a lei de drogas no país.

A primeira diz respeito ao número de usuários no país: os autores estimam em pouco mais de 700 mil, contra estimativas anteriores de mais de 1 milhão, o que justificaria medidas urgentes.

'Hoje não sou nada', diz viciada em seu 3º tratamento contra o crack
38,7% dos usuários de crack das capitais do país estão no Nordeste

O segundo toca a proposta de internação compulsória: pelo estudo, 78,9% dos usuários já desejam o tratamento.

Mas há ainda uma pesquisa do neurocientista americano Carl Hart, da Universidade Columbia, em Nova York, que quebra outros paradigmas sobre usuários da droga.
Hart recrutou dependentes com anúncios no periódico "Village Voice" e selecionou quem topasse viver num hospital por algumas semanas.

Toda manhã, os voluntários recebiam uma dose --ora farta, ora modesta-- da droga. E, ao longo do dia, a mesma dose era ofertada ao lado de alternativas como dinheiro ou cupons de compras.

Quando a dose era farta, eles tendiam a escolher a droga. Quando a dose era menor, a tendência se invertia e eles escolhiam dinheiro ou cupom.

Ou seja, quando havia alternativas ao crack, usuários faziam escolhas economicamente racionais, não impulsivas. O experimento sugere que dependentes de crack não perdem a capacidade de fazer escolhas nem veem a droga como algo irresistível.

Para Hart, que analisa esses dados no livro "High Price" (Harper Collins), crucial é o papel do ambiente no uso do crack: sem alternativas, a droga seria muito atraente.

O estudo da Fiocruz aponta que 40% dos usuários brasileiros estavam em situação de rua, 30% começou a usar a droga após problemas familiares e 9% porque tinha uma vida sem perspectivas.

Se as evidências de Hart estiverem certas, a chave para tratá-los pode estar aí.

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