Metas de Crivella, no Rio, ficam só no papel após um ano de administração

Crédito: Danilo Verpa/Folhapress Marcelo Crivella participa de culto do bispo Edir Macedo no Rio
Marcelo Crivella participa de culto do bispo Edir Macedo no Rio

DO RIO

O prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB) definiu o primeiro ano de sua gestão como a "transposição de um campo minado".

Eleito no segundo turno com 59,36 % dos votos validos, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus passou 2017 reclamando da crise financeira creditada a Eduardo Paes e sem conseguir tirar do papel seus planos para o Rio.

"Achávamos, como muitos, que Rio era um oásis no caos que assolava o Estado e o país. Na transição, depois na posse, descobrimos não só um esqueleto dentro do armário, mas um cemitério inteiro da Consolação ou do Caju", disse o prefeito, culpando a gestão do seu antecessor.

"A administração passada viveu a fartura do sonho olímpico e deixou o pesadelo de R$ 4 bilhões de déficit no orçamento", completou. Segundo opositores, Crivella "titubeia demais" e é cercado por "um secretariado fraco".

Neste período, Crivella travou disputas com empresários, servidores e políticos. Ele também reduziu investimentos para, segundo o prefeito, tentar evitar atrasos de salários de servidores.

Em dezembro, Crivella deu mais um mostra que as finanças cariocas não estão tão bem. Ele decidiu mudar o calendário de pagamentos dos servidores do município. Os salários de dezembro só serão pagos no sétimo dia útil de janeiro. A decisão alterou uma tradição da prefeitura, que fazia os depósitos até o segundo dia útil do mês.

A rede de saúde pública da cidade está em crise. No segundo semestre de 2017, os hospitais do município sofreram com falta de profissionais, insumos e até mesmo com problemas de limpeza. Hospitais de emergência estão cancelando cirurgias e consultas, leitos de UTI estão fechados e equipamentos médicos quebrados.

O prefeito está em conflito com as OSs (Organizações sociais) escolhidas para prestar serviços na área da saúde. "Temos que reconhecer que o prefeito herdou muitos problemas. 91 Escolas e 33 clínicas foram inauguradas no ano passado [2016] sem ter seus gastos de quase R$ 600 milhões previstos no orçamento. Mas ele poderia ser mais hábil administrativamente. Ele deixou faltar remédio na rede ao contingenciar a verba da saúde", afirmou o deputado Paulo Pinheiro (PSOL).

O Rio deveria fechar o ano de 2017 com um arrecadação de R$ 26 bilhões, cerca de 10% a menos que o orçamento aprovado previa. Na madrugada de 22 de dezembro, os vereadores aprovaram o Orçamento de 2018. Nele, a prefeitura pretende arrecadar R$ 29,7 bilhões. A oposição, porém, afirma que o valor é irreal.

Na noite anterior (21), Crivella teve uma boa notícia com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de manter o aumento do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) e do IPTU. "Só aumentar tributos é um absurdo num momento de crise", lamentou a vereadora Teresa Bergher (PSDB), que foi secretária do prefeito, mas deixou o cargo após se recusar a votar pelo aumento do IPTU.

AVALIAÇÃO

Crivella tem um estilo discreto e é visto pouco badalando pela cidade. Em outubro, a gestão dele foi considerada ruim ou péssima por 40% dos entrevistados, de acordo com pesquisa Datafolha.

Apenas 16 % dos entrevistados aprovaram o prefeito-taxa dos que consideram sua administração ótima ou boa.

Apesar de não empolgar o carioca, Crivella faz um balanço positivo do seu primeiro ano de gestão à frente da Prefeitura do Rio. "Muita coisa ainda precisa melhorar, é claro. Mas tivemos avanços significativos em todas as áreas", disse o prefeito. "[O principal objetivo em 2018 é] Continuar cuidando das pessoas, principalmente das que mais precisam", acrescentou.

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