PHILLIPPE WATANABE
FERNANDA PEREIRA NEVES
DE SÃO PAULO

As clínicas particulares de vacinação brasileiras devem receber um estoque de emergência de vacinas contra febre amarela. Porém, os imunizantes só devem estar disponíveis à população no final de fevereiro, quando o estoque atual tiver acabado.

Não há números oficiais sobre a quantidade de doses ainda disponíveis na rede particular, mas "a informação que temos é que os estoques estão perto de zero", afirma a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina.

Febre Amarela

A Anvisa informou que autorizou a importação excepcional de 65.400 doses –em embalagem internacional, com informações em língua estrangeira. "A autorização ficou condicionada ao envio a esta agência das evidências documentais das informações em português destinadas ao público e usuários da vacina".

As vacinas disponibilizadas na rede privada de saúde são fabricadas pela Sanofi Pasteur, enquanto as da rede pública, por Bio-Manguinhos, vinculado à Fiocruz.

Segundo a Sanofi, a importação está em andamento, e a previsão para a comercialização é de cerca de 30 dias.

Bio-Manguinhos é o maior produtor do mundo de vacinas contra febre amarela, diz Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). A Sanofi é a segunda maior.

Além delas, a OMS autoriza que duas outras instituições produzam a vacina. São elas: o Centro Federal Chumakov para Pesquisa e Desenvolvimento de Imunobiológicos da Academia de Ciências da Rússia, e o Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal.

O Centro Federal Chumakov, em nota, afirma que as autoridades brasileiras não entraram contato a respeito de estoques de vacinas. O Instituto Pasteur de Dakar não respondeu à reportagem.

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PÚBLICO X PRIVADO

Mesmo com fabricantes diferentes, a efetividade da vacina é a mesma, diz Isabella. "Na prática, para a população não há diferença", afirma a especialista. "A cepa vacinal é um pouco diferente, mas ainda sim muito semelhantes. A eficácia e a mesma e a segurança é a mesma."

Enquanto a rede particular espera novo lote só para o final de fevereiro, a rede pública decidiu antecipar o mutirão de imunização em São Paulo e no Rio de Janeiro do dia 29 para a quinta (25).

Em São Paulo, 54 cidades deverão receber as doses fracionadas, para imunizar 8,3 milhões de pessoas.

O Ministério da Saúde se comprometeu a enviar novas doses integrais da vacina para a capital. O objetivo é manter a imunização no município até o início da campanha de aplicação de doses fracionadas, antecipada do dia 29 para a próxima sexta (26), devido a feriado do dia 25.

A prefeitura procurou o ministério nesta quinta (18) para solicitar o envio das novas doses. Estimativas do município indicavam que as vacinas integrais disponíveis se esgotariam neste sábado (20).

O ministro Ricardo Barros (Saúde) confirmou à Folha o envio das novas doses, mas declarou que a pasta ainda não definiu a quantidade.

Crédito: FEBRE AMARELA NA CAPITALSó deve tomar a vacina agora quem mora ou trabalha em áreas de risco de São Paulo

A antecipação da campanha, segundo o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, vai acalmar a população, que está lotando postos de saúde e se expondo em áreas de risco para receber a dose.

"Um absurdo ver uma pessoa sair de São Paulo e ir pra Mairiporã [na Grande SP] pra receber a vacina. Ela vai ficar lá numa fila de cinco, seis horas, exposta ao mosquito com a doença e vai estar protegida só daqui a 10 dias", disse.

A dose fracionada, com 0,1 ml da vacina, tem o mesmo efeito da padrão, de 0,5 ml, mas duração menor. Enquanto a dose padrão vale para toda vida, a fracionada deve durar pelo menos oito anos.

Segundo a secretaria estadual, a campanha seguirá até 17 de fevereiro. Nas áreas onde já há vacinação em razão da circulação do vírus, como a zona norte da capital, a imunização seguirá com a vacina padrão. Até quinta, a prefeitura contabilizava 1,3 milhão de pessoas vacinadas na zona norte, sendo que a meta inicial era vacinar 2,4 milhões.

Pollara diz que não houve erro da prefeitura, mas falta de procura. "Não foi culpa nossa, não. A população da zona norte é que diminuiu [a procura]. Em dezembro inteiro ficamos à disposição lá e ninguém foi se vacinar."

Na zona sul de São Paulo, onde alguns distritos começaram a ser vacinados em dezembro, já foram aplicadas 447.982 doses, e no distrito de Raposo Tavares, na zona oeste, foram imunizadas outras 45.807 pessoas.

Segundo a secretaria municipal, a capital paulista não teve casos da doença contraídos na cidade.

Colaborou BRUNO BOGHOSSIAN

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