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Governo brasileiro vai intervir para família brasileira visitar Sean, diz advogado
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FÁBIO GRELLET
DO RIO
O advogado Carlos Nicodemus afirma que o Brasil vai encaminhar pedido ao governo norte-americano para que interceda no caso Sean Goldman, permitindo à família brasileira que visite o garoto. Sean foi levado para os Estados Unidos pelo pai, David Goldman, em 24 de dezembro, por ordem judicial. Nicodemus representa a família brasileira.
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, órgão do governo federal que recebeu o pedido da família brasileira para interceder no caso, não se manifesta sobre o caso.
Segundo Silvana Bianchi, avó de Sean, desde 2 de março a família brasileira não consegue nenhum contato com o garoto. Ele completa dez anos amanhã, dia 25, e pode passar o aniversário sem falar com os parentes brasileiros.
De acordo com Nicodemus, o pedido para que o governo interceda foi apresentado à secretaria há duas semanas. "O documento foi baseado na Convenção de Haia e demonstra que a falta de contato com a família brasileira pode prejudicar a formação de Sean", diz Nicodemus. Conforme o advogado, o órgão entendeu que o pedido é justo e agora vai encaminhá-lo ao governo norte-americano.
"Espero que os Estados Unidos tenham o mesmo entendimento quando ao pedido, e então o governo de lá vai tomar as providências para que seja permitido o acesso a Sean", diz o advogado, que estima em um mês e meio o período necessário para a tramitação do pedido. "Espero que, nesse prazo, a família brasileira de Sean esteja visitando o garoto nos Estados Unidos", diz.
Entenda o caso
Sean foi trazido para o Brasil em 2004 pela mãe, a estilista brasileira Bruna Bianchi, com autorização do pai, o norte-americano David Goldman, com quem ela era casada. A visita seria a passeio, mas Bruna decidiu não voltar mais aos Estados Unidos, e o menino permaneceu no Brasil.
David passou então a brigar judicialmente pela guarda do filho. A disputa se agravou com a morte de Bruna, em 2008, durante o segundo parto. Desde então, a guarda de Sean foi disputada por David e João Paulo Lins e Silva, segundo marido de Bruna e padrasto do menino.
Em dezembro passado, a Justiça brasileira determinou que Sean fosse entregue ao pai, o que ocorreu no dia 24 daquele mês. Desde então, a família brasileira nunca mais o viu, diz Silvana Bianchi. A avó de Sean conta que só conversou quatro vezes com o neto, por telefone, e nas duas últimas precisou se expressar em inglês, por determinação do pai da criança.
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